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A agenda brasileira de Política Externa 2020

A agenda brasileira de Política Externa 2020

13 de janeiro de 2020 - 17:20:11
por: Marcelo Rech
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Brasília - Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro pretende manter o ritmo de sua Política Externa, consolidando parcerias e abrindo novas frentes. É possível que ele viaje aos Estados Unidos mais uma vez, agora para reunir-se com líderes políticos e industriais de estados como Flórida e Texas. As relações com Washington passarão por um teste importante. O primeiro ano do seu governo não encontrou o respaldo imaginado na parceria com Donald Trump.

O presidente também estará de olho nas eleições norte-americanas, a realizar-se no segundo semestre. Antes, a preocupação estará na Bolívia. O Brasil foi um dos primeiros países em reconhecer o governo interino após a queda de Evo Morales. Agora, Bolsonaro espera poder, em 2020, participar da posse do futuro governante boliviano. A Justiça Eleitoral boliviana confirmou as eleições para 3 de maio.

Mas, o ano começará na Ásia. Convidado especial, ele estará na Índia numa viagem de três dias e que culminará com a festa nacional indiana. Potência científico-tecnológica, a Índia é um país que ainda está na periferia das relações com o Brasil. A visita do presidente promete mudar este quadro.

O mês reserva ainda a celebração do 5º Fórum do Holocausto, que marca a liberação dos judeus dos campos de concentração. O evento, a realizar-se em Jerusalém, pode contar com a presença do presidente, reforçando ainda mais a aliança com Israel. 2019 terminou com a inauguração do Escritório de Negócios da Apex-Brasil, naquele país.

Jair Bolsonaro deveria ir ao Fórum Econômico de Davos, para falar, desta vez, dos resultados da economia brasileira e do pacote de concessões lançado em 2019 pelo governo federal. O interesse está na atração de investimentos. A missão ficará a cargo do ministro da Economia, Paulo Guedes.

No mês de março, Jair Bolsonaro participará da posse do presidente do Uruguai, Luís Lacalle Pou, em Montevideu. O presidente uruguaio pôs fim à 15 anos de poder da Frente Ampla, coalizão de esquerda. Para o Brasil, o Uruguai sob novo governo representa também mudanças importantes no MERCOSUL.

E, por falar em MERCOSUL, em junho teremos no Paraguai, a primeira cúpula do ano. Nesta oportunidade, o presidente Mario Abdo Benítez irá transferir a presidência do bloco justamente para o colega uruguaio. Espera-se que o MERCOSUL aprove, nesta reunião, a revisão da Tarifa Externa Comum que ficou pendente.

A diplomacia brasileira espera também que Brasil e Portugal retomem as reuniões bilaterais por meio de uma cimeira que poderá ser realizada em Brasília. Seria a antesala da Cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que terá lugar em Angola, no mês de julho e que terá a presença do presidente brasileiro.

Ainda em julho, Jair Bolsonaro participará da Cúpula do BRICS em São Petersburgo, na Rússia. O bloco ganhou nova percepção do presidente após o êxito da reunião realizada em novembro, em Brasilia.

Julho marca ainda a abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio e nesta oportunidade, o presidente poderá aproximar-se dos países da ASEAN e dar uma esticada à Coreia do Sul.

A África é outro continente que deverá receber o presidente em 2020. Vários países têm demandado convites para que ele estreite as relações com a região. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, realizou em dezembro, viagem a Angola, Nigéria, Senegal e Cabo Verde. Marrocos, Etiópia e Egito também estão no radar do Planalto.

Está previsto ainda a retomada da Cúpula Brasil – União Europeia que poderá realizar-se em julho em Brasília. A atual presidente da Comissão Europeia, Ursula Gertrud von der Leyen, já manifestou interesse em visitar o Brasil este ano. Com a assinatura do Tratado de Livre Comércio MERCOSUL – UE, a cúpula consolidaria o bom momento no relacionamento entre as partes.

Em novembro, Bolsonaro volta à Arábia Saudita para a reunião do G-20 e em dezembro, fecha o ano com a Cúpula do MERCOSUL, desta vez no Uruguai. Lacalle Pou passará a presidência do bloco ao argentino Alberto Fernández. Em 2021, o MERCOSUL completará 30 anos e será presidido por Argentina e Brasil.