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A aliança com a Venezuela interessa ao Brasil

A aliança estratégica Brasil-Venezuela interessa ao Brasil

José Reinaldo Carvalho

Do encontro entre os dois presidentes resultou a ratificação de compromissos anteriormente assumidos relativamente à constituição de empresas mistas entre a PDVSA e a Petrobras, tendo em vista a construção de uma refinaria de petróleo em Pernambuco e outra no Orinoco, em território venezuelano.

Lula e Chávez deram curso aos entendimentos visando à construção do Gasoduto do Sul, uma gigantesca obra de engenharia destinada a desempenhar importante papel na distribuição de gás combustível para todo o continente.

As conversações presidenciais foram positivas também em relação à criação do Banco do Sul e à finalização dos procedimentos para que a Venezuela se torne membro pleno do Mercosul.

O presidente brasileiro fez um pronunciamento dirimindo todas as dúvidas que pudessem existir acerca do relacionamento entre os dois países.

“É importante que todos saibam que Brasil e Venezuela têm uma relação estratégica. Estratégica por interesses geopolíticos, estratégica por interesses econômicos, comerciais, por interesse de desenvolvimento, por interesses de investimentos na área de ciência e tecnologia.

Até porque nós estamos convencidos de que a vida do povo da América do Sul e da América Latina só irá melhorar na hora em que os nossos países se desenvolverem e tiverem riqueza para distribuir para o seu povo”, disse Lula.

Abordou assim de maneira clara o aspecto central da política externa do seu governo – a luta pelo desenvolvimento nacional, vinculada à noção de que, na época atual, este só se concretizará no quadro do desenvolvimento de toda a região, o que pressupõe a integração regional.

Nessa perspectiva, Lula enfatizou a posição do governo brasileiro favorável ao ingresso da Venezuela no Mercosul como membro pleno: “É importante dizer que o Brasil está trabalhando, o processo está no Senado, e nós esperamos que o mais prontamente seja votado para que a Venezuela seja, definitivamente, um país-membro do Mercosul e que a gente possa prontamente trazer outros países para o Mercosul. Afinal de contas, a integração é uma necessidade que nós temos de nos desenvolver, de crescer e de sermos países economicamente ricos e socialmente muito justos. Quero, Chávez, dizer para você que, da parte do Brasil, nós faremos qualquer esforço e qualquer sacrifício para que esse acordo se concretize e, quem sabe, o mais rápido possível você possa já nos fazer uma visita como membro permanente do Mercosul”.

Imediatamente se viu uma furibunda reação a esse avanço do processo de integração continental.

Baseados em mentiras e numa falsificação das declarações do presidente venezuelano sobre a demora na decisão do Parlamento brasileiro de aprovar o protocolo de ingresso do país vizinho no Mercosul, setores da direita neoliberal e da mídia decidiram intensificar sua campanha contra a aproximação entre o Brasil e a Venezuela e a integração continental.

Um partido neodireitista chegou a emitir nota oficial prometendo fazer “o possível e o impossível” para impedir o ingresso da Venezuela no Mercosul.

A fim de ter um pretexto para justificar seus fins, atribuíram ao presidente Chávez, falsamente, a declaração de que “o parlamente brasileiro é submisso” ao império. Em nenhum momento e para nenhum órgão de imprensa o dirigente venezuelano deu tal declaração.

Disse apenas: “não vou me arrastar” e que a demora na aprovação do ingresso da Venezuela no Mercosul se deve “à mão do império”. O que é verdade cristalina.

Fica patente que Chávez não fez qualquer referência desairosa às casas legislativas brasileiras. A acusação ao presidente venezuelano é assim mais uma dessas falsidades com que os meios de comunicação a serviço do império pretendem confundir a opinião pública brasileira.

Pena que outros setores políticos, inclusive de esquerda e com representatividade institucional tenham-se deixado levar pelas falsificações da mídia e se prestado a dar declarações ofensivas contra o presidente venezuelano.

Fica patente, portanto, que tanto os partidos da direita neoliberal, como os falsos esquerdistas que se atreveram a ofender o presidente Chávez fazem com gosto o serviço do imperialismo.

A direita e o imperialismo norte-americano combatem a integração continental e a aliança estratégica entre governos progressistas porque o fortalecimento desta está na razão inversa da pauta neoliberal, do protecionismo dos países ricos e dos planos neocolonialistas.

O interesse nacional do Brasil e as aspirações do povo brasileiro exigem o aprofundamento desta aliança.

E a consciência progressista das forças que apóiam Lula no Brasil e Chávez na Venezuela requer o reforço da cooperação, o aumento da compreensão e da solidariedade mútuas.

Posições de outra natureza servem aos interesses dos inimigos do Brasil e do desenvolvimento nacional.

José Reinaldo Carvalho é Secretário de Relações Internacionais do PCdoB e diretor do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz).

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