Opinião

Geopolítica
26/12/2014
Diplomacia
05/01/2015

Economia

A América Latina e a diversificação de sua economia

Marcelo Rech

A América Latina tem dado passos concretos com o propósito de diversificar a sua economia, sobretudo no que diz respeito à maior competitividade dos seus produtos e o fortalecimento de novos mercados e parceiros.

Se no plano regional a convergência entre blocos como Aliança do Pacífico, SICA, Caricom e Mercosul, dá seus primeiros passos, do ponto de vista da redução de dependência, o aprofundamento das relações comerciais e de cooperação com a Rússia, por exemplo, consolida-se como alternativa factível.

Apesar da crise que afeta o país, a Rússia tem provado ser um parceiro confiável da América Latina. A expansão dessas relações comprova essa tendência.

A economia russa, ativa, desenvolve relações comerciais e econômicas não apenas dentro da região euroasiática, indo muito além dos seus limites geográficos e geopolíticos.

Na história das relações comerciais e econômicas dos países latino-americanos com os sócios tradicionais, registramos oscilações e insegurança. Não é segredo que as relações com os Estados Unidos são marcadas fortemente por um viés político que pode ser confundido com manipulação em detrimento dos interesses dos latino-americanos.

Um exemplo estaria nas sanções impostas por Washington à Rússia por conta da crise ucraniana. Um contrassenso quando os Estados Unidos reconhecem que a política de sanções não resolve os problemas políticos, vide o exemplo de Cuba e os passos dados neste momento para a normalização das relações bilaterais.

Historicamente, a Rússia e até mesmo a ex-União Soviética, implementaram uma política comercial de aproximação por meio da geração de confiança. Cada vez mais países buscam aprofundar essas relações acreditando no potencial a ser explorado.

Os países latino-americanos também estão de olho no impacto que as sanções impostas por Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Canadá e Noruega, terão para o aquecimento do comércio exterior regional.

É a velha história: toda crise gera também oportunidades.

A Rússia se vê afetada pelas restrições à importação de carnes, leite, frutas e vegetais numa decisão que deve durar ao menos um ano. E a América Latina pode tirar grande proveito desta situação. O mercado russo não é um mercado qualquer.

Enquanto os países nominados negam principalmente a exportação de produtos agrícolas, os latino-americanos poderão lucrar enormemente. Os mercados crescentes da América Latina também anseiam por novas alternativas que consolidem o bom momento econômico regional.

As relações comerciais com a Rússia aprofundadas por conta das sanções a ela impostas seguramente fortalecerão a cooperação e a integração no âmbito de estruturas interestatais como o BRICS.

Talvez, a América Latina tenha se dado conta de que pode sobreviver melhor sem a dependência dos Estados Unidos e de mecanismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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