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A balbúrdia dos caças para a FAB

A balbúrdia dos caças para a FAB

Marcelo Rech

Nesta terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou de balbúrdia a informação de que o Programa FX2 seria cancelado.

Ele atribui aos que foram eliminados do processo, a confusão em torno de um novo processo de escolha dos caças para a Força Aérea Brasileira (FAB).

No entanto, o próprio Jobim alimenta a confusão quando fixa prazos e marca datas de supostos anúncios que não se concretizam.

Mantido no cargo por pressão do ex-presidente Lula, Jobim perdeu completamente o controle sobre o processo. O FX2 está agora com a presidente Dilma e a decisão será eminentemente política.

O ministro está incomodado, claro. Ao garantir a conclusão do processo e fomentar as aquisições das demais forças, Jobim conseguiu controlar os militares que lhe obedecem caninamente.

Ao postergar a conclusão do processo de compra de aviões para a FAB, o governo pode também congelar as compras já previstas para Marinha e Exército.

O atual FX pode até ser mantido, mas negar que novos atores participem da licitação é condenar o país a comprar avião ultrapassado por preço de caça de última geração.

Trata-se de uma tecnologia absolutamente sofisticada que a cada dia é aperfeiçoada. Em dois anos, o que temos hoje será sucata.

Além disso, é preciso deixar claro que o prazo de um ano representa sim adiamento, mesmo que o ministro negue de forma veemente. Segundo ele, um ano é o prazo que dura a negociação de contrato. Isso é fato.

Mas, como ainda não foi definido o modelo a ser adquirido, o prazo dobra para se dizer o mínimo.

Até 2012, não haverá conclusão a respeito. Supondo que em janeiro do ano que vem o governo decida escolher um modelo, aí teremos mais um ano apenas em negociações com a fabricante.

Isso significa dizer que antes de 2013 não teremos sequer uma definição.

Concluída a negociação contratual, o assunto é submetido ao crivo do Senado Federal que tem a prerrogativa de aprovar ou não a contratação de um empréstimo internacional para concretizar o negócio.

A Comissão de Assuntos Econômicos pode tratar do assunto em uma semana ou vários anos. Depende muito do clima político do momento.

Só então, teremos um cronograma de entrega das aeronaves.

Estados Unidos

Em março, o presidente Barack Obama virá ao Brasil e este será apenas um dos assuntos em pauta.

Obama quer vender o F-18 Super Hornet e o dirá com todas as letras à presidente Dilma. Mas, antes de setembro quando ela irá aos Estados Unidos para abrir a Assembléia Geral da ONU, nada de concreto será fechado.

Os dois devem conversar novamente em Washington.

E há um terceiro ator que vai pesar na: Cuba.

A presidente da Comissão de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a republicana cubano-americana Ileana Ros-Lehtinen, já avisou que acordo nenhum com o Brasil sai se a política de Brasília não mudar em relação à Havana.

Obama perdeu a maioria na Câmara e sustenta uma vantagem minguada no Senado.

Essa gente quer vender o caça da Boeing, mas desde que certos dogmas sejam bem discutidos.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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