Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h51

Geopolítica

15 de novembro de 2015
por: InfoRel
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Marcelo Rech



A série de atentados terroristas perpetrados contra a população civil de Paris nesta sexta-feira, 13, mostra a cara mais perversa do Terrorismo Global, cada vez mais coordenado e mortífero. Enquanto as potências e os mecanismo multilaterais batem cabeça, os extremistas exibem força e colocam de joelhos aqueles que deveriam ser protegidos por seus governantes.



Passada a comoção – ela sempre passa -, virão as respostas, normalmente militares. A guerra ao terror versão francesa, pode tornar o cenário ainda pior. A Europa tem sido obrigada a lidar com uma série de crises e tem demonstrado total incapacidade em afrontá-los. É nítida a ausência de uma estratégia comum para lidar com o terrorismo.



Não é novo que islamistas europeus têm sido radicalizados seja na Síria ou no Iraque. Os retornados, já não atentam em seus países, mas onde é viável. Há uma nova faceta que ainda não foi compreendida. Os jovens extremistas belgas, por exemplo, tentaram atentar na Espanha. Como saber onde será o próximo ataque?



Por trás dos atentados terroristas em Paris escondem-se ainda os interesses geopolíticos das grandes potências. A Europa que vende armas e nutre os conflitos, ergue muros para impedir a fuga daqueles que nada têm a ver com suas guerras. Os Estados Unidos belicoso, fala de uma democracia que não pode ser debatida, mas imposta. Tolera por conveniência, ditaduras sanguinárias e ser arvora na defesa dos direitos humanos de quem é apenas estatística na Casa Branca e no Pentágono.



Enquanto o mundo canta a Marselhesa e se pinta de azul, banco e vermelho, ninguém se importa com as meninas nigerianas sequestradas pelo Boko Haram. O Ocidente hipócrita une vozes pelas vítimas na França sem dar a mínima para os 148 mortos e 79 feridos num ataque da milícia islâmica Al Shabaab, no nordeste do Quênia, na quinta-feira, 12.



Enquanto os ataques na França ganham destaque mundial, o terrorismo bárbaro na África é ignorado. Um terrorismo que tem raízes na mesma Europa assolada pela barbárie. Alimentado, fortificado e armado até os dentes pelas grandes potências. Mas, o mundo prefere fechar os olhos para esta realidade.



Para a realidade das grandes potências que negociam o petróleo e o gás controlado pelo Estado Islâmico. Os “senhores das armas” estão rindo à toa. Ganharam armando extremistas e vão ganhar mais armando os que agora lhes declaram guerra. No meio disso tudo, estamos nós, os civis, homens, mulheres e crianças que são apenas os “efeitos colaterais” dos conflitos.



Não nos enganemos, assim como Pearl Harbor foi a justificativa para a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o 11 de setembro, a gota d’água para a Guerra contra o Terror, Paris será apenas mais um elemento para uma estratégia que levará em conta, não a paz mundial, mas a balança de poder. A guerra na Síria se sustenta aí, no xadrez dos interesses daqueles que se consideram os “donos do mundo”. Quando foi conveniente derrubar Kadafi, o Ocidente não se importou em entregar armas e dinheiro a organizações como a Al Qaeda. Transformaram a Líbia num buraco assim como fizeram com o Iraque. Tudo para controlar recursos naturais como o petróleo.



Enquanto não tratarmos das causas que levam à proliferação do extremismo, estaremos sempre um passo atrás. Enquanto as grandes potências olharem para o próprio umbigo, seus nacionais continuarão sendo mortos impiedosamente, e enquanto as nações islamistas lavarem as mãos, maior será a carnificina em nome do Islã.



Não há ingênuos nesta guerra cuja primeira vítima é sempre a verdade!



Marcelo Rech é jornalista, editor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa e especializado em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Jornalismo em Áreas de Conflito e Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.


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