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13/12/2016
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13/12/2016

Política

A crise política e o caos que freiam os investimentos no país

Marcelo Rech

O mundo acompanha com especial preocupação o desenrolar da crise política brasileira confiando que as principais dificuldades foram superadas e o país pode caminhar para uma estabilidade que culmine com bons resultados para a sua economia. Esse seria um bom desenho para o 2017 que está batendo nossas portas, mas estamos longe disso.

Há certos ditos populares que não se aplicam ao Brasil, como “pior não pode ficar”. Pode sim. E se nossas excelências ainda não se permitiram entender e refletir sobre o estrago que estão provocando, lá fora as pessoas já perceberam que o Brasil, sétima economia do planeta, viverá um ano nada novo a partir de 1º de janeiro.

Para ilustrar, basta colocar-se no lugar de um grande investidor estrangeiro. Alguém que tem recursos para aplicar em projetos de energia e infraestrutura, alguns dos gargalos que temos por superar, por exemplo. Pois bem, este investidor coloca em meia página alguns dados sobre o Brasil para ajudá-lo a decidir onde pôr o seu dinheiro.

Ele toma apenas os últimos seis meses e constata o seguinte a respeito do país: teve uma presidente afastada e destituída; um presidente da Câmara dos Deputados, afastado, cassado e preso; um presidente da República que forma um gabinete com gente investigada e processada por corrupção; um governo interino efetivado que perde seis ministros acusados de corrupção e tráfico de influências, em menos de 180 dias; um presidente do Congresso Nacional considerado réu e com mais de dez processos por diversos crimes acumulando poeira na Suprema Corte; uma Suprema Corte desafiada por um réu que capitula e é humilhada pelo político que segue protegendo. Paralelamente, um escândalo que sangra em mais de US$ 8 bilhões o país e que tem ex-governdores, ex-ministros de Estado e empresários das maiores construtoras, presos.

Diante desse pequeno rascunho, que decisão qualquer investidor, de qualquer país, tomaria?

Há uma semana, o Brasil esteve à beira de um colapso institucional onde os egos se colocaram à frente dos interesses reais do país, numa demonstração de que os políticos não têm a menor preocupação com os danos que vêm causando ao Brasil. Os magistrados tampouco.

E não se trata de macular a imagem do país, mas dos danos objetivos e concretos, que afastam os investidores e tornam a crise mais aguda. Para tornar ainda mais sombrio o horizonte, temos um presidente da República mal assessorado, cercado de pessoas incapazes de perceberem em que contexto ascendeu ao cargo. Um presidente errático e um grupo de ministros que querem fazer da sensação, a solução dos problemas.

A queda de Dilma Rousseff animou mercados e entusiasmou o setor privado com o qual ela não tinha mais nenhum tipo de diálogo. Mas o tempo passa e com ele, esgotam-se paciência e fé.

Michel Temer foi ao exterior dizer que o Brasil vivia um período de normalidade institucional e estabilidade política. Que o momento era de apostar no Brasil, pois ele o colocaria nos trilhos. Não colocou.

As reformas anunciadas, sabemos, não produzem resultados imediatos. Em vez de discursos, o país precisa de medidas executivas que tornem o Brasil atrativo para o investidor estrangeiro, mas também para quem constrói a riqueza interna.

Lamentavelmente, os políticos olham para a crise sob a ótica de seus próprios projetos que nunca são de Estado. E dão de ombros para as críticas da imprensa porque sabem que os brasileiros não lêem jornais. Contam com a letargia de uma sociedade que briga por ideologias, corporações, e privilégios, não por um país melhor.

Em 2017, a tendência é de piora considerável. A maioria dos estados estão quebrados, o presidente da República será obrigado a fazer alianças tão esdrúxulas quanto fisiológicas para manter maioria no Congresso, as ruas irão aumentar o tom das reivindicações, pois está farta de pagar a conta dos desmandos e da corrupção, as viúvas do petismo e os chamados movimentos sociais, literalmente vão tentar colocar fogo no país e as organizações criminosas como PCC e Comando Vermelho, ampliarão seus tentáculos por todo o país, nas estruturas dos poderes e no controle do país.

O caos social já contaminado pela crise econômica será alimentado pelo descaso do meio político com o Brasil real, suas mazelas e dilemas. Lá fora, os decisores já enxergam esse Brasil que internamente os políticos insistem em menozprezar.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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