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A crise síria e a nova agenda internacional

Marcelo Rech, especial de Londres

A guerra civil na Síria já completou seis anos, mas parece ter saído da agenda das grandes potências hoje ocupadas em conter a Coreia do Norte. No entanto, não é apenas a crise na península que “força” essa mudança de rota nas prioridades globais. Há muito mais por trás do redirecionamento das atenções.

Há dois anos, a Rússia lançou sua ofensiva militar na Síria de quem o país é forte aliado. No início, essa estratégica encontrou resistências por parte daqueles cujo principal e, talvez, único objetivo, era derrubar o regime de Bashar al-Assad. Vista como uma ameaça para a Europa e o Ocidente como um todo, a Rússia foi, pouco-a-pouco produzindo resultados na estabilização da Síria e no combate a organizações terroristas.

Importante recordar que em várias situações, o Ocidente financiou essas organizações e grupos de mercenários para fazerem o trabalho sujo na derrocada de regimes outrora impostos e que depois “deveriam” ser depostos, como nos casos do Iraque e da Líbia, por exemplo.

De acordo com o analista em geopolítica Giampiero Venturi, “após dois anos da operação militar da Rússia na Síria, ficou claro que seus resultados foram bem sucedidos, tanto em termos políticos como econômicos. A Rússia inverteu a maré do conflito e agora está desempenhando o papel principal na resolução da crise síria”, afirmou.

Além disso, a Rússia se beneficia dos erros cometidos pelo Ocidente em relação ao equilíbrio geopolítico no Oriente Médio. Há quatro anos, Barack Obama sentenciou que a queda de Assad era iminente. O líder sírio, no entanto, segue cada vez mais firme e essa reviravolta guarda relação direta com o envolvimento militar russo.

O cenário envolvendo a Síria também nos permite refletir sobre o combate efetivo do terrorismo. Quem são os que estão trabalhando nesta direção e quem são os que apenas buscam neste fenômeno as justificativas para defenderem seus interesses.

Venturi acredita que o Irã voltará a exercer influência internacional, embora Israel não esteja pronto para aceitar qualquer papel de Teerã seja na crise síria, seja no Oriente Médio. Seguindo essa tendência, Moscou será o único capaz de mediar uma solução, pois mantém diálogo aberto com o regime iraniano.

Também o líder francês, Emmanuel Macron considera fundamental a colaboração do Ocidente com a Rússia na busca por uma solução à crise na Síria. Para desgosto de muitos dos seus aliados, ele afirmou que “a Rússia é nossa parceira. Temos de trabalhar com ela”. Disse ainda que é impossível pôr fim ao conflito sem os russos. Macron sabe também que a Rússia poderá ser crucial na resolução dos problemas com Pyongyang.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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