Brasília, 18 de dezembro de 2018 - 10h14

Meio Ambiente

14 de dezembro de 2015
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Enquanto os líderes mundiais buscam um acordo sobre o clima que impeça o aumento das temperaturas na Terra, um fato relevante tem sido ignorado e pode resultar em sérios danos à segurança ambiental: as atividades econômicas no Ártico, região rica em recursos naturais como petróleo, gás e minérios. Cresce a cada dia o interesse das grandes potências pela exploração econômica, o que representa uma grave ameaça para o planeta.



De acordo com estimativas preliminares, o Ártico seria responsável por até 25% das reservas de petróleo e gás ainda não exploradas. Além disso, é rico em jazidas de ouro, diamantes, platina, estanho, manganês, níquel e chumbo. Como os grandes países têm priorizado o trânsito marítimo pelo Mar do Norte – gasta-se metade do tempo em relação à rota tradicional entre a Europa e a Ásia pelo Canal de Suez – as atividades econômicas dentro do Círculo Ártico são cada vez mais intensas.



O problema é que nem todos observam e respeitam os riscos de desenvolvimento do Ártico. Estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT), mostra que os maiores danos à região estão sendo causados pelas ações dos Estados Unidos. A situação é tão séria que Washington despertou para os problemas irreversíveis que podem ser causados.



Recentemente, o governo norte-americano deu início a uma estratégia de planejamento de sua política econômica para o Ártico. No entanto, políticos e especialistas dos Estados Unidos preocupam-se com o fato de o país ficar atrás de outras nações como a Rússia, por exemplo, em termos de presença militar e políticas de desenvolvimento para a região.



Em setembro, o presidente Barack Obama anunciou no Alasca, que os Estados Unidos irão acelerar a construção de navios quebra-gelo para a Guarda Costeira. Hoje, o país ocupa o 5º lugar no número de embarcações desta natureza, atrás de Rússia, Suécia, Finlândia e Canadá.



Preocupa, sobretudo, as incoerências. Washington havia encerrado os programas de empresas nacionais e internacionais no Ártico, mas acaba de autorizar a petrolífera Shell a prospectar petróleo na região. A empresa utilizará duas sondas de perfuração para o estabelecimento de seis poços no Mar de Chukchi. A decisão da Casa Branca foi condenada por ambientalistas do mundo inteiro.



Eles consideram um erro a autorização para este tipo de atividade, pois as condições climáticas no Ártico são complicadas e o ecossistema é frágil. Em 2012, a Shell teve uma de suas sondas encalhadas e pagou mais de US$ 1 milhão em multas pela poluição da água e do ar.



Para o Conselho Americano para a Proteção dos Recursos Naturais, um eventual vazamento no Ártico será impossível de se limpar. O receio é que uma atividade permanente de produção resulte em acidentes como o registrado no Golfo do México em 2010 em que foram despejados milhões de barris de petróleo, causando danos incalculáveis ao meio ambiente.



Vários parlamentares norte-americanos já avaliam mudar a legislação para tornar mais rígidas as normas de exploração e produção de petróleo, especialmente no Ártico. Não seria uma má ideia se o tema entrasse de vez na agenda global sobre o clima.



Marcelo Rech é jornalista e analista do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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