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20/10/2015
Realidade
08/11/2015

Venezuela

A democracia por conveniência

Marcelo Rech

No dia 6 de dezembro, serão realizadas as eleições legislativas da Venezuela, país que acaba de ser reeleito como membro da Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). Com o voto do Brasil, diga-se.

O que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo! A Venezuela conta hoje com a condescendência e a omissão dos países sul-americanos, razão pela qual, implementa uma democracia por conveniência. Um regime totalitário travestido de democrático. Não chega a ser uma ditadura de modelo convencional, mas caminha a passos largos nesta direção.

A evidência mais contundente partiu do próprio presidente Nicolás Maduro, o líder chavista que não admite observadores internacionais nas eleições em seu país.  O governante que se dá o direito de realizar consultas na região, sobre as crises políticas na Argentina, Brasil e Equador, alertando para tentativas de golpe de Estado nestes países e advertindo que fará de tudo para evitar a queda dos governantes que lhes são simpáticos.

Pois este líder, afirmou no dia 30 de outubro que não entregará o poder à oposição se esta vier a ganhar as eleições. Mais: que passará a governar com uma Junta Militar. Admitiu em rede nacional de televisão, que o país certamente passará por um dos momentos mais obscuros e comovedores de sua vida política, mas que não entregará o poder à oposição em hipótese alguma, mesmo que esta conquiste este direito nas urnas.

As declarações do presidente venezuelano não surpreendem. O que surpreende é o silêncio e a conivência daqueles que têm a obrigação de preservar pela democracia na região e de aplicar as normas previstas em tratados internacionais, mas que tornam-se cúmplices ao se calarem descaradamente.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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