Opinião

Estados Unidos
16/10/2005
Assuntos Estratégicos
16/10/2005

Guerra Eletrônica

A difícil missão de derrotar um terrorista

Marcelo Rech

Em 2001, escrevi uma tese sobre como a mídia e a classe política brasileira enxergavam o terrorismo, um problema tão distante de nós quanto complexo, antigo e novo ao mesmo tempo.

Foi bem antes do 11 de setembro e o que tínhamos eram muitas notas de agências e alguns poucos artigos sobre o tema. Na verdade, tive de refazer entrevistas e alguns capítulos inteiros por conta dos “aviões-bomba” que nasceram sob os céus de Nova Iorque.

A partir de então, os Estados Unidos decidiram atacar o Afeganistão e elegeram Osama bin Laden, um saudita treinando pela CIA, como o inimigo número um da América. Derrubaram o regime Talibã, mas Osama segue livre e vez ou outra, apronta das suas nos países que oferecem fidelidade canina aos falcões de Bush.

Unilateralmente, meteram-se no Iraque e não sabem como sair. Garantem que deixarão um país melhor para os iraquianos. Ocorre que, por trás da retórica de Bush, Rumsfeld e Condoleezza Rice está a sigla ”IED” descomhecida da maioria dos leigos, mas familiar aos recrutas norte-americanos no Iraque.

Significa algo como ”improvisou o dispositivo explosivo”, ou simplesmente uma bomba caseira reconhecida como principal assassina das tropas norte-americanas no Iraque.

Diante do maior Exército do planeta, estão dispositivos explosivos de fundo de quintal, estrategicamente plantados próximos às rodovias ou em carros-bomba, conduzidos por suicidas que não aceitam a invasão estrangeira no Iraque. Nos últimos dois anos, cerca de dois mil recrutas norte-americanos foram mortos no Iraque, oficialmente, a partir desses dispositivos.

Embora disponha do que existe de mais avançado tecnologicamente em termos de armamentos, o Pentágono e seus oficiais-generais não conseguiram neutralizar a ameaça crescente de IED. Agora, sabe-se que boa parte dos recursos empregados no Iraque foram reunidos para se desenvolver métodos e procedimentos capazes de opor as Forças Armadas a essa nova ameaça.

Especialistas das Forças Armadas norte-americanas acreditam que, ao neutralizarem remotamente o IED, provocando sua detonação induzida, de preferência nos locais de repouso e armazenamento dos insurgentes, em suas bases secretas, seria a única chance para se derrotar o inimigo.

Com esse objetivo, as Forças Armadas desenvolvem uma pesquisa intensiva para criar robôs especiais, que funcionariam como pilotos de vôo e dispositivos por terra automatizados capazes de atolar ou incapacitar remotamente os rádios que ativam as bombas artesanais dos ‘terroristas iraquianos’.

Sabe-se que uma série de dispositivos para serem empregados contra o IED está sendo testada secretamente sob condições do combate no Iraque. Os planos pilotos especiais e dois sistemas rádios-eletrônicos – JIN [neutralizador geral de IED] e NIRF [neutralizador de radiofreqüência IED] – estão sendo testados.

Por razões de segurança das operações da coalizão no Iraque, essas informações não são confirmadas pelos oficiais do Pentágono. Eles preferem trabalhar em silêncio para não despertarem os iraquianos que tantas dores de cabeça já provocaram para o governo Bush.

Especialistas militares afirmam que, além dos robôs e sistemas rádios-eletrônicos, os militares norte-americanos trabalham ainda em outros projetos com o objetivo de derrotar terroristas e pistoleiros que lançam mão do IED.

Dentre esses projetos, estão incluídas emboscadas de franco-atiradores nos endereços mais prováveis para os terroristas plantarem bombas, uso de cães especialmente treinados, de varredores especiais, dos sistemas de rádio- localização e sensores de última geração que detectam explosivos, inclusive aqueles que estejam presos a pessoas em ruas aglomeradas.

Além disso, as pesquisas estão sendo estendidas no estudo do departamento de psicologia, de bombardeiros suicidas, desenvolvimento de novos procedimentos dactiloscópicos para identificar os povos que manufaturam IED, análise da respiração humana para detectar traços possíveis dos explosivos, e também o estudo do uso de alguns insetos capazes de detectar explosivos.

Para as Forças Armadas dos Estados Unidos, os terroristas e pistoleiros, utilizam a eletrônica comercial, a partir de telefones móveis e painéis de controle remoto para se ajustarem fora de seu IED.

Por essa razão, especialistas do Pentágono investigam novos produtos dos principais fabricantes do mundo de equipamentos eletrônicos para avaliarem seu uso potencial por parte dos terroristas.

Eles acreditam que é preciso agir com rapidez para se fazer frente ao IED, tanto no Iraque como no Afeganistão e que, cedo ou tarde, terão de enfrentar esta ameaça em território norte-americano.

Os serviços especiais têm informação suficiente para atestar que os terroristas internacionais desenvolvem plantas para uma guerra em grande escala de bombardeio em solo dos Estados Unidos.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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