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A encruzilhada argentina: crise econômica versus corrupção

A encruzilhada argentina: crise econômica versus corrupção

03 de outubro de 2019 - 09:38:42
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Marcelo Rech

No dia 27 de outubro, os argentinos vão às urnas para escolher seu presidente. O atual, Mauricio Macri, concorre à reeleição e seu principal oponente, Alberto Fernández cumpre como fórmula de Cristina Kirchner que preferiu figurar como candidata à vice-presidência.

A Argentina encara mais um processo eleitoral envolta em uma enorme e difícil crise econômica. Macri segue sendo sugado pelo desajuste e o agravamento do quadro geral. Hoje, perderia a eleição já no primeiro turno. Ao que parece, há pouquíssimo tempo para reagir uma vez que medidas econômicas não produzem efeitos imediatos.

Além disso, o presidente tem que encarar um escândalo de corrupção que se aproxima cada vez mais da Casa Rosada. No início de agosto, Angelo Calcaterra, primo do presidente e herdeiro das empresas da família Macri, confessou ter subornado por meio do pagamento de propinas, altos funcionários do governo de Cristina Kirchner.

Como resenha a imprensa argentina, Calcaterra é filho de uma tia paterna de Mauricio Macri. Ele se converteu em dono das empresas do pai do presidente, Franco Macri, uma vez que o filho preferiu seguir carreira política. Ele está envolvido em um esquema de superfaturamento das obras do metrô Sarmiento, que contava com a participação da brasileira Odebrecht. Em fevereiro deste ano, as investigações da Lava Jato no Brasil acabaram estourando no país vizinho.

A Argentina também investiga possíveis casos de corrupção da construtora brasileira no país. Imediatamente, Calcaterra vendeu a IECSA, empresa pivô no esquema, para ver-se livre de qualquer acusação. Não foi suficiente.

No total, 49 pessoas são investigadas na Argentina por corrupção envolvendo a Odebrecht. O ex-presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, confessou ter pago cerca de US$ 35 milhões em propinas para obter obras na Argentina, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos.

As confissões do primo deixam o presidente em uma situação ainda mais delicada. Embora a transparência seja importante para a sua imagem, fica claro que Calcaterra trabalhou em benefício das empresas do Grupo Macri. Os argentinos que já padecem de uma economia que vai ladeira abaixo, sentem que Mauricio Macri não reúne as condições essenciais para seguir à frente do governo.

Na primárias de agosto, ele ficou 15 pontos atrás de Alberto Fernández. Uma diferença que já seria, por óbvio, muito difícil de ser tirada. O escândalo de corrupção pode representar a pá de cal nas suas intenções de reeleger-se.

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.