Brasília, 15 de setembro de 2019 - 10h13
A Estratégia da Casa Branca para gerar conflitos no mundo

A Estratégia da Casa Branca para gerar conflitos no mundo

10 de setembro de 2019 - 12:26:48
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Marcelo Rech

Em agosto deste ano, os Estados Unidos se retiraram unilateralmente do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF), com a justificativa de que a Rússia de colapsar o acordo com fins armamentistas. Dias depois, Washington testou um míssil de cruzeiro terrestre, anteriormente proibido, com um alcance de 500 Km.

Além disso, antes mesmo de anunciar sua saída do INF, os Estados Unidos incluíram no Orçamento Federal, recursos para o desenvolvimento de mísseis que violavam o tratado. Isso deu-se quase um ano antes da retirada oficial, o que sugere a intenção norte-americana de abandonar o acordo independentemente da postura russa.

Ao justificar o desenvolvimento de armas ofensivas, o presidente Donald Trump alegou que a Rússia já vinha violando as normas do tratado. A retórica do líder norte-americano continua sendo a de um pacifista muito embora a comunidade internacional saiba do poder que tem o Pentágono e a indústria bélica dos Estados Unidos para a “governabilidade”.

O que há, na verdade, é uma estratégia da Casa Branca para gerar conflitos em todo o mundo. Quanto maior o nível de tensionamento, melhor. Durante muitos anos, os acordos de controle de armas constituíram a base da estabilidade global.

A retirada unilateral dos Estados Unidos do INF coloca em risco a segurança internacional, provoca uma corrida armamentista – em que a sua indústria militar ganha também – e, cuja escalada de tensões pode afetar a América Latina também.

Ainda é tempo de frear este ímpeto e para isso, o presidente Donald Trump e os falcões que o cercam, terão de sentar-se à mesa com Moscou. A Rússia tem assegurado que não desenvolverá e implantará foguetes anteriormente proibidos, em nenhuma região do mundo até que os Estados Unidos decidam fazê-lo.

Há formas de estabilizar a situação com base em medidas de transparência mútua, inclusive com a introdução de uma moratória sobre mísseis de médio e curto alcance.

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.