Brasília, 14 de novembro de 2018 - 05h54

Economia

07 de novembro de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Não é segredo que o mundo moderno muda a uma velocidade atroz, o que tem provocado transformações radicais na geopolítica global, com ênfase especial na economia, já que a liderança econômica é, em grande medida, primordial para se manter no topo.



Neste sentido, é igualmente sabido que muitos países não admitem o estabelecimento de um novo equilíbrio de poder, outra condição necessária para se manter a ordem e a estabilidade mundial. Ao contrário, o que temos visto é a adoção de medidas que aumentam o desequilíbrio agravando de forma dramática a economia global.



Atualmente, o direito internacional tem sido relegado a um segundo plano sem importância e a Justiça tem sido sacrificada de acordo com a conveniência política. Nesta direção, soberania nacional tem hoje um caráter meramente relativo.



São neste contexto que têm sido aplicadas sanções econômicas como as impostas à Rússia por conta da crise com a Ucrânia, sanções que apenas a ONU poderia aprovar e aplicar respeitadas as regras internacionais.



Na visão de vários analistas, sanções econômicas minam as bases do comércio mundial e as regras da OMC. Obviamente, as sanções aplicadas à Rússia são objeto de pressões que pouco ou nada têm a ver com a situação ucraniana em si e os desejos do seu povo. O objetivo central é empurrar a Rússia para o isolamento, enfraquecer sua posição política e estagnar a sua economia.



No entanto, o tiro por sair pela culatra uma vez que a economia mundial ainda se ressente dos efeitos da crise de 2008-2009. Se o objetivo era punir a Rússia, muitos outros vão pagar um preço demasiado alto por isso.



Por outro lado, a Rússia, parceira do Brasil nos BRICS, tem apoiado a extensão de projetos econômicos conjuntos e investimentos mútuos. O Brasil já se vale dessa estratégia e por conta das sanções aplicadas a Moscou, tem aumentado significativamente a exportação de carnes e produtos agrícolas. A previsão é que outros mercados se abram para o Brasil à custa dessas mesmas sanções. Além disso, a China, também parceira nos BRICS, tem diminuído sistematicamente os seus investimentos em dólar e títulos norte-americanos. E está fechadinha com a Rússia.



Outra alternativa para asfixiar a Rússia está na pressão sobre o preço do petróleo, mas são as grandes companhias norte-americanas que podem sofrer as consequências práticas desta decisão. A Rússia em si não deve ter problemas, pois tem um custo de produção muito baixo para o gás e o petróleo.



E os mesmos que buscam segregar a Rússia, são os que adquirem petróleo do Estado Islâmico, portanto, que patrocinam o terrorismo, os sequestros e as decapitações.



Se a lógica é punir, a receita precisa ser urgentemente modificada. As medidas adotadas só tendem a piorar o cenário econômico para aqueles que ainda sentem os efeitos da crise financeira mundial.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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