Brasília, 15 de outubro de 2018 - 19H41

Política Internacional

13 de janeiro de 2015
por: InfoRel

Marcelo Rech



O ano de 2014 será marcado não apenas pelas crises internacionais, mas pela forma como as grandes potências e os mecanismos multilaterais lidaram com elas. Não é surpresa que tanto Estados Unidos como a aliança atlântica foram surpreendidos e falharam ao tentar remediar conflitos.



A última cúpula da OTAN realizada em setembro passado na Estônia desnudou uma organização ainda abalada com os últimos episódios envolvendo Rússia e Ucrânia e sem um rumo ou discurso firmes sobre que caminho seguir.



Ao que parece, as grandes potências e a própria OTAN implementam uma política de padrões duplos que revela-se equivocada.



Os Estados Unidos seguem a linha de responsabilizar unicamente a Rússia na crise com a Ucrânia com o objetivo explícito de transformar Moscou no inimigo número um do mundo.



De forma contraditória, ignoram o que acontece com os civis no Leste da Ucrânia, vítimas de armamentos proibidos em todo o mundo ao mesmo tempo em que atacam dura e permanentemente o regime sírio, pelos mesmos motivos.



Da mesma forma, os apelos de Washington à reconciliação dos partidos na Ucrânia são feitos ao mesmo tempo em que abastecem com armas os militares ucranianos e estimulam o fortalecimento dos grupos mercenários para as guerras em Donetsk e Lugansk.



No entanto, Estados Unidos e OTAN mantém as críticas constantes à Rússia de dar suporte aos rebeldes no sudeste da Ucrânia, ainda que não haja evidências.



Não é novidade alguma que o Ocidente historicamente recorre à fabricação de eventos de acordo com sua conveniência. Um exemplo mais recente diz respeito à derrubada do Boeing malásio.



Além disso, não podemos esquecer que em relação à crise ucraniana é válida a analogia com as ações cometidas no Kosovo. Em 2008, os Estados Unidos saíram em defesa da autodeterminação dos povos e reconheceram a República.



Agora, diante dos fatos na Ucrânia, jogam na lixeira a coerência e apelam ao principio da inviolabilidade territorial ou de fronteiras.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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