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A Geopolítica do caos

A Geopolítica do caos

26 de setembro de 2019 - 08:00
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Marcelo Rech

Os Estados Unidos voltaram a ser administrados pelos neocons, os falcões que se acostumaram a orientar as políticas globais de acordo com seus interesses e projetos. Para tanto, guerras foram paridas para atender objetivos concretos de poder. Conflitos são alimentados em todo o mundo por uma rede que inclui até mesmo, agentes que não sabem para quem trabalham.

Estamos vendo o desenvolvimento e a implementação de uma estratégia que não respeita regras, normas, procedimentos, costumes. Há uma violação brutal em curso que busca apenas a satisfação dos objetivos traçados pelos que ainda se autoproclamam democratas.

Para tanto, os princípios fundamentais de uma economia de mercado e livre comércio encontra rapidamente as contradições naquele que transforma as medidas restritivas unilaterais contra Estados soberanos, em um dos instrumentos mais relevantes de sua política.

Inicialmente, os Estados Unidos tinham como alvos, os países que integravam o que se convencionou chamar de “eixo do mal”. Iraque, Irã e Coreia do Norte gozavam deste “privilégio”. Logo, vieram os novos membros do clube, China e Rússia. Hoje, antigos aliados de Washington se deparam com sanções ou a ameaça de sua aplicação.

Para tanto, basta que discordem da geopolítica do caos desenhada na Casa Branca e não no Departamento de Estado. Países da União Europeia, por exemplo, que insistem em manter o Acordo Nuclear com o Irã e que, por conta dele, apoiam relações comerciais mutuamente vantajosas com Teerã, estão na alça de mira dos falcões.

A Turquia e a Índia, com todas as suas peculiaridades, têm enfrentado fortes pressões e atos de intimidação sem precedentes, simplesmente por terem optado por outros provedores de equipamentos militares que não os norte-americanos.

O uso indiscriminado de sanções pelo presidente Donald Trump indica a incapacidade dos Estados Unidos de conduzirem uma batalha competitiva e legítima do comércio internacional. Há uma confusão entre política, interesses, poder militar e negócios, que gera fortes instabilidades.

Considerando a importância para Washington de um desfecho favorável quanto à crise venezuelana, não podemos descartar que as próximas vítimas das sanções tramadas no Salão Oval, atinjam a América Latina. De certa forma, já estão.

Um exemplo: países da América Central que não aceitarem a política de contenção migratória, pagarão um preço alto na forma de bloqueio de recursos e/ou o cancelamento de ajudas econômicas e militares.

Argentina e Brasil, apesar de toda a proximidade e química entre os seus presidentes e Donald Trump, não estão imunes. As consequências poderão ser devastadoras e guardam relação direta com a escalada da crise na Venezuela e a derrocada do atual regime, não importa se por meio de uma intervenção.

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.