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A Geórgia na órbita da OTAN e as relações com o Br

A Geórgia na órbita da OTAN e as relações com o Brasil

Marcelo Rech

Em 7 de abril, se reuniram em Tbilisi, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, e o Representante Especial da Secretaria-Geral da OTAN para Assuntos do Cáucaso Sul e da Ásia Central, James Appathurai.

Na oportunidade, foram discutidas as perspectivas de cooperação entre Geórgia e OTAN, o papel da Geórgia em operações no Afeganistão, bem como questões de segurança regional.

De acordo com James Appathurai, “a Geórgia está tentando satisfazer as condições (para ingresso na OTAN)”.

O assunto será tratado de forma mais ampla em uma reunião da Comissão Conjunta OTAN-Geórgia, ao nível de ministros das Relações Exteriores, em Berlim, ainda este ano.

No entanto, o enviado da Aliança Atlântica evitou tratar de temas ligados à integridade territorial de Geórgia. “A OTAN não reconheceria a independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul,” afirmou.

O governo georgiano acredita que em até três anos, o país integrará a OTAN, uma vez que as reformas democráticas e nas áreas de Segurança e Defesa, são bem avaliadas pelos membros da organização.

As reformas no setor Defesa permitirão à Geórgia equipar seu Exército com novos armamentos.

Em conseqüência da guerra em agosto de 2008, a Geórgia perdeu a maior parte das suas capacidades militares. A Força Aérea e a Marinha foram praticamente dizimadas e centenas de blindados do Exército ficaram destruídos.

Se não restaurar sua capacidade em Defesa, a Geórgia não terá condições de sequer qualificar-se para integrar a OTAN.

Para reverter essa tendência, autoridades georgianas tentam retomar a cooperação militar com os Estados Unidos, congelada após o conflito russo-georgiano de 2008.

Em novembro de 2010, na Cúpula da OTAN em Lisboa, Saakashvili exigiu que os membros da aliança fornecessem à Tbilisi as armas necessárias “para defender-se contra uma possível agressão russa”, prometendo, como contrapartida, aumentar o contingente georgiano no Iraque e no Afeganistão.

No dia 3 de dezembro, o embaixador dos Estados Unidos na Geórgia, John R. Bass, afirmou que o governo norte-americano não só pretende desenvolver a cooperação militar com a Geórgia, como já trabalha com o ministério da Defesa e outras agências do país na melhora da sua capacidade de Defesa.

O senador republicano John McCain é outra voz a favor do rearmamento da Geórgia. Ele defende a retomada dos contratos de armas com aquele país.

Em março deste ano em Washington, Saakashvili submeteu à Casa Branca um relatório detalhado que justificaria a necessidade de transferir instalações de defesa aérea e antitanque à Tbilisi.

Na “lista de desejos” submetida ao governo norte-americano, a Geórgia conta com o fornecimento de sistemas de defesa de míssil Patriot 3, Stinger MANPADS, bem como o Javelin e Hellfire-II ATGM com a quantidade necessária de munição de um montante total de mais de US$ 1 milhão.

Mesmo com as pressões internas, Barack Obama conduz com discrição a questão da retomada de entregas de armas norte-americanas ao regime de Mikhail Saakashvili.

Na prática, os Estados Unidos e a OTAN querem armar a Geórgia e ao mesmo tempo, evitar danos às relações com a Rússia.

Observe-se que entre 2006 e 2008, os Estados Unidos alocaram à Geórgia créditos não-reembolsáveis através do programa “A Provisão de Ajuda Militar para Necessidades Militares a Países Estrangeiros”, e tais recursos foram empregados na aquisição de armas na Bulgária, Grécia, Hungria, Letônia, Ucrânia, Turquia, República Checa, Estônia, e Israel.

James Appathurai, no entanto, assegura que “a OTAN não arma ninguém. A OTAN, como uma organização, não vende armas”.

Por outro lado, parece igualmente despreocupada com a legalidade ou não das ações concretas adotadas pelos membros da organização.

Brasil

Em maio, o Senado brasileiro aprovou o nome do embaixador Carlos Alberto Lopes Asfora, para chefiar a primeira missão diplomática do Brasil naquele país.

Desde 2010, a Geórgia mantém embaixada no Brasil e antes mesmo de abrir sua representação, já havia proposto a assinatura de dez acordos, entre eles, um de Defesa.

Lopes Asfora sabe que lidar com a Geórgia pode criar problemas com a Rússia, mas ressaltou as “muitas oportunidades” que podem ser abertas ao Brasil.

Além disso, o Brasil sabe que o país, localizado às margens do Rio Negro e que integrou a antiga União Soviética, tem alto valor estratégico que pode ser vital no futuro.

Mais de 50% da população georgiana vive da agricultura, porém o setor agrícola responde apenas por 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Trata-se de um setor que o Brasil gostaria de investir.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-Insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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