Brasília, 15 de outubro de 2018 - 13H17
A guerra comercial anunciada

A guerra comercial anunciada

03 de maro de 2018
por: InfoRel
Marcelo Rech, especial de Madri

Nesta quinta-feira, 1º, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá sobretaxar as importações de aço e alumínio, o que afetará praticamente toda a economia mundial. O Brasil manifestou preocupação.  O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, reuniu-se, no início da tarde de terça-feira, 27, com o Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross.

Na oportunidade, Jorge explicou que a medida, se confirmada, afetará produtores brasileiros. Ele defendeu a complementaridade do comércio entre ambos os países e disse que o aço brasileiro não ameaça os Estados Unidos. De acordo com o MDIC, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de produtos siderúrgicos para os Estados Unidos em 2016, atrás apenas do Canadá.

O país fornece cerca de 50% de semiacabados de ferro e aço importados pelos Estados Unidos, utilizados como insumos pela indústria de transformação do país. Além disso, o Brasil é o maior consumidor internacional do carvão mineral norte-americano. Para Marcos Jorge, uma eventual aplicação de medida que impacte a produção brasileira de aço pode refletir diretamente na necessidade de consumo de carvão mineral.

A União Europeia também agiu rapidamente: irá responder na mesma proporção. Para o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, o mundo enfrentará uma guerra comercial caso os Estados Unidos decidam realmente implementar políticas protecionistas.

Bruxelas já esperava pelo anúncio. A guerra comercial estava anunciada desde a eleição de Trump. No entanto, o bloco acreditava que a nova administração norte-americana trataria de dialogar antes de seguir por este caminho. Para piorar, a declaração do presidente dos Estados Unidos de que “as guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar” colocam mais lenha na fogueira.

A Europa é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos e adotará represálias, assim como a China, maior produtor mundial. Na próxima quarta-feira, 7, a Comissão Europeia se reunirá para decidir sobre a aplicação de taxas a produtos norte-americanos que ingressam no bloco.

Também o Canadá respondeu com firmeza às decisões anunciadas por Trump. O ministro de Comércio, François-Philippe Champagne, destacou que a decisão é inaceitável e terá consequências nos dois lados da fronteira. A tendência é que os principais exportadores para o mercado norte-americano se unam como forma de isolar Trump e impedir que as medidas provoquem danos às respectivas economias.

Brasil

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, reuniu-se, no início da tarde de terça-feira, 27, com o Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, para tratar de temas relacionados ao comércio bilateral. A pauta central foi a possibilidade, estudada pelo governo do presidente Donald Trump, de sobretaxar as importações de aço norte-americanas. O embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, também participou do encontro.

O governo norte-americano estuda três possibilidades de sanções tarifárias contra as importações de aço. Na avaliação dos Estados Unidos, reduzir importações pode contribuir para o aumento da utilização da capacidade instalada das siderúrgicas do país. Para Marcos Jorge, o Brasil deveria ficar de fora de qualquer uma dessas medidas.

De acordo com o MDIC, Ross se comprometeu a analisar os números apresentados pela delegação brasileira e repassá-los ao presidente Trump, que é quem vai definir essa situação. Ele, entretanto, tranquilizou os brasileiros ao dizer que, mesmo que haja alguma aplicação de medida que afete o Brasil, ainda haverá a possibilidade de pedido de recurso, o que poderia reverter a eventual taxação.

"O Secretário Wilbur Ross nos recebeu muito bem. Esteve atento aos nossos argumentos e disse que vai rever os números do comércio bilateral que envolvem o setor siderúrgico e de carvão mineral", afirmou o ministro, complementando que o governo brasileiro segue confiante na complementaridade do comércio e que uma possível aplicação de medida contra produtos brasileiros poderá reverter em perdas para a própria indústria norte-americana.

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2017, o fluxo comercial foi superior aos US$ 50 bilhões, envolvendo mais de 20 mil empresas. O desempenho no ano passado teve um incremento de 10,1% em relação ao ano de 2016. A reunião também tratou de temas como etanol, trigo, convergência regulatória e outros.

No dia 1º, o governo brasileiro emitiu a seguinte nota a respeito da decisão norte-americana:

O governo do Brasil recebe com enorme preocupação a informação divulgada nesta quinta-feira (01) de que o governo dos Estados Unidos pretende aplicar tarifa adicional de 25% sobre as importações de aço, e de 10% sobre as de alumínio, como decorrência da investigação com base na Seção 232 da “Lei de Expansão Comercial”, de 1962. Caso confirmada, a restrição comercial afetará exportações brasileiras de ambos setores.

Na última terça-feira (27/2), o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, esteve reunido em Washington com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, justamente para reiterar que o aço brasileiro não representa ameaça à segurança nacional norte-americana, e que as estruturas produtivas siderúrgicas de ambos os países são complementares, uma vez que cerca de 80% das exportações brasileiras de aço são de produtos semiacabados, importante insumo para a indústria siderúrgica norte-americana. Ao mesmo tempo, o Brasil também é o maior importador de carvão siderúrgico norte-americano (cerca de US$ 1 bilhão em 2017), que constitui insumo relevante para a produção brasileira de aço, parcialmente exportada aos Estados Unidos.

No encontro, o ministro Marcos Jorge reforçou que Brasil e Estados Unidos são importantes e tradicionais parceiros comerciais. De sua parte, o secretário Ross afirmou disposição para buscar soluções positivas e que eventual decisão de aplicação da sobretaxa poderia ser recorrida pelos países interessados.

O governo brasileiro espera, portanto, trabalhar construtivamente com os Estados Unidos para evitar eventual aplicação, o que traria prejuízos significativos aos produtores e consumidores de ambos os países, segundo relatou Marcos Jorge ao secretário americano.

O governo brasileiro não descarta eventuais ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses no caso concreto.

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