Opinião

A Defesa em debate nacional
06/11/2008
República Dominicana aprova compra de Super Tucano
19/11/2008

A hegemonia norte-americana no mundo contemporâneo

A hegemonia norte-americana no mundo contemporâneo

Marcelo Rech

Após o colapso da então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) nos anos 90 do século passado, os Estados Unidos transformou-se na única potência global.

Obviamente, com o sentimento de vitória na Guerra Fria.

Com base nesta premissa, deu início à uma política que tinha como principal objetivo, fortalecer os resultados da “grande vitória”.

Os Estados Unidos implementariam ações que o consolidariam como líder de um único centro mundial.

Desde então, o principal objetivo da política exterior dos Estados Unidos é manter e reforçar sua posição privilegiada, através da hegemonia mundial expressamente declarada.

Para tanto, o país utiliza o dinheiro como um instrumento fundamental para financiar “necessidades” das forças políticas e torna a supremacia da sombra do governo do mundo numa arma absoluta, que se sustenta automaticamente.

É a sua grande força, que prevê um novo tipo de dominação mundial.

A hegemonia norte-americana implica exercer uma influência decisiva, mas o que os distingue dos impérios do passado é que esta influência é exercida não através do controle direto, mas através de um sofisticado sistema de sindicatos e coligações, que são estabelecidos por meio de alavancas financeira e econômica.

Sendo assim, reza a cartilha que a hegemonia soft dá lugar a dura hegemonia de ações militares somente quando alguém foge à subordinação “voluntária”.

Uma análise comparativa da atual política externa dos Estados Unidos dos últimos anos permite concluir sobre meios e métodos empregados por Washington para assegurar sua hegemonia mundial.

Três tornam-se evidentes: o upgrade de seu poder militar, o uso da informação e das vantagens tecnológicas e a utilização das alavancas econômica e financeira (impacto macroeconômico mais sanções).

O uso da força foi e é um componente fundamental na base da política norte-americana em relação ao resto do mundo.

Conceitos da teoria militar dos Estados Unidos e sua aplicação prática por parte dos militares e complexos industriais do país estão progredindo na criação de mais e mais armas precisas, que são chamadas “inteligentes” no Ocidente.

Por outro lado, é preciso entender que o foco sobre os militares hi-tech não significa que o Estados Unidos irá abandonar as armas nucleares.

De fato, vemos uma mudança qualitativa no potencial do uso dessas armas – o desenvolvimento de novos tipos de ogivas nucleares, que são chamadas “portáteis”.

A nova doutrina simplesmente apregoa que os Estados Unidos serão capazes de usar as armas nucleares, em qualquer caso, se não houver uma ameaça de retaliação nuclear greve.

Precisamos também indicar uma outra tendência potencial associada a implementação dos militares hi-tech nos Estados Unido: o processo de atualização tecnológica que se expande pelo menos em teoria e a luta contra a capacidade das tropas norte-americanas para conduzir operações em várias partes do mundo simultaneamente, o que reduz o significado puramente militar dos aliados e alianças, incluindo a OTAN.

A OTAN continuará a ser uma importante aliança para Washington. É igualmente importante como uma espécie de reserva, no caso de conflitos.

Creio que no futuro, Washington terá menor intenção de respeitar e consultar seus aliados no processo de decisão sobre quaisquer ações, incluindo as operações militares.

Essa política foi demonstrada, por exemplo, no caso do Iraque, quando as decisões norte-americanas foram unilaterais e ignoraram o parecer dos demais aliados.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *