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Educação

28 de maro de 2005
por: InfoRel
Ucho Haddad

“Os livros de hoje são os atos de amanh㔝

Thomas Mann


Quanto maior e mais profunda a ignorância do povo, melhor para o totalitarismo polà­tico. Este é o triste cenário diante do qual se perpetuam as ditaduras de esquerda ou de direita. Há muito se fala na evolução dos povos, mas o perfil atabalhoado do cotidiano impede que o ser humano atente para a autodegeneração intelectual, imposta sorrateiramente por conglomerados polà­tico-econômicos dominantes.

Não é de hoje que todo projeto ditatorial que se preze tem a obrigação de contar com a ignorância popular, ferramenta primordial para a instalação de um processo que vilipendia lenta e continuamente a dignidade existencial do homem.

Quando a volúpia conquistadora ianque, por exemplo, engatinhava além das próprias fronteiras, os americanos vislumbraram na pseudo-inocência dos gibis uma poderosa arma de persuasão, capaz de dar continuidade aos projetos de expansão territorial.

Recarregada no genuflexório do capitalismo desbaratado, a quase totalidade do planeta passou a rezar a cartilha nada inocente dos estúdios de criação, cujos divertidos enredos estamparam, durante décadas, as páginas das revistas chamadas infantis.

Verdadeiro éter da consciência, as tais publicações foram, além de passatempo da gurizada de outrora, um anteprojeto de bà­blia do cotidiano para uma colossal horda de adultos desavisados.

Quem, por curiosidade, comparar as distintas versões do enfadonho Tio Patinhas, logo perceberá que as histórias eram moldadas aos interesses americanos da época. Na Itália, por exemplo, onde o pato avarento de voz esganiçada foi batizado de Topolino, as histórias dos gibis tinham o claro intuito de amenizar o avanço conquistador americano, que, a exemplo do “modus operandi” atual, arruinaram a existência humana de forma virulenta e quase irreversà­vel.

Para que o projeto totalitarista passasse despercebido no Brasil e os americanos conquistassem os nativos, foi providenciada a criação do Zé Carioca, personagem cuja malemolência verde-amarela confundia as mentes mais atentas.

Quem já não se divertiu – quiçá não tenha se emocionado – com as travessuras daquele rato com semblante de maior abandonado?

Milhões de pessoas, para não dizer bilhões, já caà­ram nessa ratoeira ideológica, voltando para casa com um daqueles bonés que ostentam um par de orelhas negras e circulares.

Independentemente do tilintar das máquinas registradoras que infestam os parques de diversões ianques, a venda de apetrechos “disneylândicos” não significa apenas lucro, mas o endosso inconsciente de milhares de incautos que passarão ao largo das barbáries que os americanos continuarão a promover ao redor do planeta.

Findo o sucesso dos gibis, os norte-americanos passaram a financiar o submundo da música, como forma de transformar as chamadas bandas emergentes em usinas de alienados pelo mundo afora.

Pode até parecer um antiamericanismo redundante, mas não passa da estrita constatação da realidade. Paralelamente aos conjuntos de acordes desencontrados, que ao ganharem os palcos arrastaram multidões de fãs, ao mesmo tempo em que fizeram revirar na tumba os gênios da música, o espà­rito conquistador patrocinou outro capà­tulo voraz da estupidez imperialista do Tio Sam.

Com a inevitável evolução tecnológica no universo das comunicações, a troca simultânea de informações tornou-se algo extremamente perigoso, sendo que o controle imediato da situação abortaria a excessiva exposição da vulnerabilidade do Estado americano.

Assim, restou aos imperialistas a tese do controle da formação, especialmente nos chamados paà­ses subdesenvolvidos. Não fosse verdadeira tal afirmativa, não haveria motivo para empresas multinacionais controlarem, no âmbito societário, a maioria das editoras didáticas de nossa Terra Brasilis.

Se comparados, os livros didáticos de outrora e os atuais são escandalosamente diferentes no conteúdo. O que se aprende hoje, no chamado mundo moderno e evoluà­do, não representa, nem mesmo com muita benevolência, um terço do que se aprendia no inà­cio dos anos sessenta.

Tal constatação denota que os gibis e a música foram, paulatinamente, substituà­dos pelo controle da formação. Em outras palavras, o poder de alienação mudou de fantasia.

O estreito convà­vio entre os ensandecidos americanos e os militares protagonistas da ditadura tupiniquim levaram à  falência o ensino público brasileiro, como parte de uma estratégia de dominação.

A degradação educacional brasileira da era plúmbea foi tão grande, que qualquer incursão atual, por maior que seja, será incapaz de recuperar o que antes da destruição já deveria ser considero como algo medà­ocre.

Para reforçar o desaprendizado contà­nuo, o imperialismo se valeu da nefasta televisão para sepultar, em definitivo, qualquer possibilidade de reação intelectual de massa nos alvos de seus interesses.

É verdade que as produções “hollywoodianas’ continuam evidenciando a supremacia norte-americana, mas coube aos enlatados a incumbência de neutralizar o raciocà­nio universal. A celeuma televisiva alcançou seu ápice com os chamados programas de convivência, cuja glória profana se materializou no Big Brother, trazido à  “xavantina” pela nociva Vênus Platinada.

No contraponto, o governo Lula vem ludibriando a opinião pública com ações meramente cosméticas na área da Educação, lançando factóides como reserva de vagas e reforma do ensino, sem contar o Prouni, programa educacional que bambeia entre o fiasco e a galhofa.

O projeto totalitarista da “entourage luliana”, que apostava no Conselho Federal de Jornalismo como forma de controlar o conteúdo “midiático”, agora se volta à s ceifadas ideológicas que o núcleo duro do governo Lula promove na grande imprensa desde que o Pt chegou ao Planalto, fazendo veicular apenas os assuntos que contemplem seu mega-projeto.

Não é preciso nenhum mergulho profundo em teses e pesquisas para perceber que os à­ndices educacionais existentes no paà­s, analisados por qualquer prisma ideológico, são simplesmente aterrorizantes. Para diagnosticar o quase moribundo sistema educacional e suas ineficazes reticências, basta abordar um aluno, em vias de ingressar no segundo grau, e inquiri-lo sobre uma banalidade qualquer.

Há dias, perguntado sobre o que seria o Minuano, um jovem da classe média-alta paulistana respondeu, depois de muito pensar, tratar-se do detergente de cozinha que patrocina o Big Brother Brasil.

Exigir que soubesse que os Minuanos eram os à­ndios de uma tribo que emprestou o nome a um fenômeno da natureza seria um abuso inquisitório, mas nem de longe passou por sua cabeça a possibilidade de ser um vento frio e seco de origem polar que tem o Rio Grande do Sul como porta de entrada, podendo chegar, dependo de sua força, à  Amazônia.

Entre a tristeza e a tragédia, tal constatação não apenas mostra de forma clara que a qualidade do ensino - público ou privado - no Brasil é o estrito reflexo do totalitarismo irresponsável, mas que a docência e a discência, que lutam para escapar dos diques da ignorância degenerativa, sofrem de uma inegável demência.

Triste Brasil!


Ucho Haddad, 46, é jornalista investigativo, colunista polà­tico, poeta e escritor. Editor do www.ucho.info, é articulista do site do jornalista esportivo Wanderley Nogueira [www.wanderleynogueira.com.br].


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