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10/04/2016
Direitos Humanos
21/04/2016

Defesa Antiaérea

A importância da proteção aérea brasileira

Marcelo Rech

Apesar da grave crise política e econômica que paralisa o país, o Brasil continua a desempenhar um papel de relevo junto à comunidade internacional. E, a fim de implementar planos para preservar a liderança regional que ainda resta, o país precisa dar atenção às suas Forças Armadas. Isso não é novidade alguma, mas torna-se cada vez mais urgente. O momento exige ações concretas e menos retóricas.

De acordo com a maioria dos especialistas militares brasileiros, as forças de defesa antiaéreas do Brasil cobram uma profunda modernização uma vez que os equipamentos atuais não são capazes de garantir a proteção necessária das fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, por exemplo.

Nos últimos anos, uma das melhores ofertas para a adaptação das forças de defesa antiaérea do Brasil veio da Rússia, país-líder no desenvolvimento e fabricação de todos os sistemas de defesa antiaérea do mundo.

Recentemente, assinalamos neste espaço que a Rússia mantém acordos de cooperação técnico-militar com mais de 90 países e contratos com pelo menos 60. Isso não seria possível se a qualidade desses equipamentos não fosse comprovada.

Em dezembro de 2012, na reunião da Comissão de Cooperação Técnico-Militar da Rússia, o presidente Vladimir Putin disse que uma das direções importantes do aumento das exportações de armas russas são pesquisas, desenvolvimentos e organização da produção conjunta dos equipamentos militares. Ao mesmo tempo, destacou seria dada uma atenção especial à cooperação no âmbito dos BRICS.

O Brasil já está armado com sistemas portáteis russos de mísseis antiaéreos Igla-S, de curto alcance, também conhecidos pela sigla MANPADs (Man Portable Air Defense System). Além disso, nas conversações com o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, durante a VII Reunião da Comissão Russo-Brasileira de Alto Nível de Cooperação, realizada em Moscou em 16 de setembro de 2015, o vice-presidente Michel Temer confirmou a prontidão do país para adquirir os sistemas de defesa antiaérea Pantsir-S1 para as Forças Armadas brasileiras.

As negociações, por enquanto, incluem total transferência de tecnologia, permitindo a fabricação de sistemas 100% nacionais em um prazo de até seis anos após a assinatura do contrato.

Importante destacar que os acordos de transferência tecnológica para o aprofundamento da cooperação são extremamente benéficos. Desta forma, o Brasil seria capaz de licenciar a produção do mesmo Pantsir-S1, sem a necessidade de abrir licitação internacional para a compra de sistemas de defesa antiaérea. O Brasil poderá tornar-se exportador a partir de complexos montados no país e ter equipamentos produzidos pelo setor privado nacional.

É evidente que a escolha do Brasil a favor da Rússia, fundamenta-se nas vantagens não-contestáveis de sistemas de mísseis antiaéreos deste país. O Pantsir-S1 não encontra equivalente no mercado ocidental. Ele pode ser disparado em movimento enquanto protege colunas em deslocamento. As viaturas empregam seus radares de gestão de tiro, com alcance superior a 30 km, para detectar possíveis ameaças. Em posição defensiva, a bateria pode ser instalada em terreno em menos de dez minutos.

Os lançadores são controlados remotamente por uma unidade de tiro alimentada por dois radares de aquisição com alcance superior a 80 km. O sistema é capaz de acompanhar 40 alvos e cada lançador pode adquirir e acoplar quatro alvos por vez. O guia é feito por feixe laser emitido pelo lançador. O míssil recebe os dados por um sensor colocado na cauda, o que o torna imune a contramedidas eletrônicas ou infravermelho.

Atualmente, sistemas deste tipo em várias versões garantem a proteção dos espaços aéreos da Argélia, Irã, Iraque, Síria, Omã e Emirados Árabes Unidos. Além da prevenção de ataques de inimigos que utilizam aeronaves, máquinas deste tipo são projetadas para a defesa antiaérea de importantes instalações militares e industriais.

Na América Latina, eles também podem ser usados para combater o contrabando de drogas via transportes aéreos a partir de aeródromos ilegais na selva amazônica.

Naturalmente, o ministério da Defesa reconhece a necessidade de realizar um programa de modernização das forças de defesa antiaérea. Espera-se que o governo brasileiro seja capaz de encontrar os recursos necessários para implementar finalmente esta cooperação iniciada em 2012.

Marcelo Rech é jornalista e analista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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