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A intervenção militar na Venezuela e seus impactos para a região

A intervenção militar na Venezuela e seus impactos para a região

12 de abril de 2019 - 08:00
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Marcelo Rech

Os rumores em torno de uma possível intervenção militar como alternativa para o derrocamento do presidente venezuelano Nicolás Maduro, estão ganhando força. A paciência dos Estados Unidos parece ter chegado ao limite. O desafio agora é saber como a região irá se comportar.

A América do Sul demorou décadas para consolidar-se como uma zona de paz e segurança. Há um ativo importante em jogo que parece relegado a um segundo plano. Para os Estados Unidos, pouco importa como tudo isso poderá terminar, contando que Nicolás Maduro seja apeado do poder.

Apesar da semelhança das apreciações por parte de Brasília e Washington quanto à crise venezuelana, para o Brasil é fundamental manter uma posição que reforce os preceitos de paz, prosperidade e estabilidade. Para a Casa Branca, vale o “custe o que custar” sem importar as consequências.

Enquanto os instrumentos diplomáticos de pressão deixam a Venezuela cada dia mais isolada, Donald Trump prefere escalar as tensões criando uma ameaça real que pode terminar em um banho de sangue. Ao longo dos anos, os coletivos e milícias ligados ao regime chavista, se armaram para defender o governo. São grupos que ninguém controla e que irão para o tudo ou nada.

A tendência é de piora significativa das questões humanitárias, sobretudo nas regiões fronteiriças daquele país, incluindo, claro, o Brasil. A percepção é de que os Estados Unidos agora se sentem confortáveis para intervir sem observar qualquer limitação legal, como à época em que derrubavam governos e instalavam títeres em seus lugares.

Observa-se um incremento na presença das agências de inteligência norte-americanas em toda a região e este cenário alimenta as preocupações em torno de uma ocupação branca, antessala de uma intervenção militar. Sob Trump, Washington parece cômodo na promoção ativa da ideia de estender a sua presença militar na América Latina, inclusive em território brasileiro.

A resolução da crise venezuelana não passa por ultimatos ou ameaças. E isto não interessa aos países da região. Não ganhamos absolutamente nada com isso, mas seremos nós os que teremos de administrar o caos quando ele for instalado.

Por outro lado, cabe destacar a omissão dos mecanismos regionais (OEA, CELAC, UNASUL, MERCOSUL) e da própria ONU, que parece fingir que não há um conflito na América do Sul.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados e Diplomacia de Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.