Brasília, 18 de novembro de 2018 - 13h32

A Legião Nazista na Europa

19 de abril de 2012
por: InfoRel
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Marcelo Rech



O 16 de março pode ser apenas mais um dia comum na agenda de muitas pessoas e o é para muitos países. Mas, um evento que passou completamente despercebido, alimenta perigosamente o sentimento radical e ultranacionalista crescente na Europa.



A Letônia, um dos três países bálticos, com pouco mais de 2,3 milhões de habitantes, celebra nesta data, os veteranos da Legião Letona, um grupamento criado em 1942, para ajudar a Alemanha nazista naquela região.



Mais de duas mil pessoas se reuniram em Riga, para recordar a memória daqueles que em nome da SS de Hitler, massacraram principalmente poloneses na Segunda Guerra Mundial.



A data não integra o calendário oficial da Letônia, mas é celebrada silenciosamente por grupos neofascistas.



Em fevereiro de 1943, as autoridades de ocupação autorizaram a criação da Legião Letona, que oficialmente incluiu todas as unidades letonas do Wehrmacht, polícia e SS, bem como voluntários letões que serviram nas Forças Armadas alemãs.



A História registra que durante a guerra, 41 batalhões foram formados (na Lituânia foram 23, e na Estônia, 26). Na média, cada batalhão era composto por 300 integrantes, mas havia alguns com até 600 combatentes. Eles atuaram principalmente na Letônia, Ucrânia e Bielorrússia.



Os simpatizantes da Legião Letona afirmam que o grupo lutou pela Independência do país contra a ocupação soviética, mas os legionários tomaram parte direta na operação "Winter Magic" que foi de 15 de fevereiro a 1º de abril de 1943, evento mais conhecido como a tragédia de Osveya.



Sete batalhões letões com cerca de 4 mil soldados assassinaram todos os homens de 16 aos 50 anos, inclusive os descapacitados numa região entre Drissa no Sul, Zilupe e Smolnatal no Norte e cobriu a área Osveja - Driss - Polotsk - Sebej - Russon (Bielorrússia, Rússia).



As mulheres foram separadas das crianças e enviadas para trabalhar na Alemanha.



Em 6 de agosto de 1944, a 19ª Divisão SS letona, torturou 15 presos de guerra capturados perto da aldeia de Bobryni. Este fato, bem como a participação na operação Winter Magic confirma o veredicto do Tribunal de Nuremberg.



No dia 31 de janeiro de 1945, a primeira divisão de infantaria travou uma pesada batalha pela aldeia Podgae. Os poloneses acabaram se rendendo após um dia inteiro de luta.



Os feridos gravemente foram imediatamente eliminados e os presos, submetidos a torturas horríveis, decidiram fugir, mas falharam.



Como a punição, foram queimados vivos depois de serem envolvidos com arame farpado.



O presidente da Letônia, Andris Berzins, no entanto, defende que as pessoas se curvem diante dos veteranos. Também um calendário de 2012 com uma figura da Legião Waffen SS esteve à venda em livrarias do país.



Suas páginas mostram pessoas em uniforme nazista com as bandeiras da Letônia.



O Tribunal de Nuremberg considerou como homens da SS "todas as pessoas que tinham sido oficialmente aceitas como membros do SS, inclusive membros do Waffen e de qualquer serviço de polícia."



Para E. Zuroff, diretor do Simon Wiesenthal Center em Jerusalém, "a coisa mais triste consiste em que hoje - 16 de março - durante uma marcha, vi jovens com bandeiras da Letônia moderna, democrática, reverenciando estas pessoas. Isto cria uma idéia de que, na Letônia, as pessoas apóiam aqueles que lutaram pela Alemanha nazista. E se alguém os apóia este alguém escolheu o lado errado."



Os eventos de 16 de março promovem o fascismo e satisfazem organizações neonazistas e este comportamento insulta os sentimentos de milhões de pessoas em todo o mundo.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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