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Crise Política

A miopia de Lula e a manifestação chapa-branca

Marcelo Rech

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acredita piamente que escapará de um processo de impeachment. Eu concordo com isso, mas não pelos mesmos motivos que o presidente.

Ele acredita que escapará por que nada deve, o que não é verdade. Deve mais que desculpas. Seu partido construiu o maior e mais vergonhoso esquema de corrupção de que se tem notícia.

Que fique claro: de que se tem notícia, pois desde que o Brasil é Brasil, a corrupção permeia esse chão, lamentavelmente. Ocorre que Lula prefere ser míope a tudo isso, jogando no colo dos outros, responsabilidades que são suas como Chefe da nação.

Ele é responsável direto, pois entregou o governo ao ministro que lhe tinha ‘lealdade canina’, o todo-poderoso José Dirceu que montou a máquina de fazer dinheiro para pagar os altíssimos aluguéis de parlamentares. Além de míope é ingênuo, pois sempre acreditou que suas vitórias no Congresso eram fruto das transformações que promovia no país.

Ao desconhecer o que se passava em seu governo, ele falhou feio e mostrou que não estava preparado para ser presidente, embora tenha tido tempo de sobra para isso. Mas, o presidente deve escapar do impeachment, principalmente quando o nome de Severino Cavalcanti se consolida como alternativa ao vácuo de poder.

Para tanto, Cavalcanti tem conversado com setores da Igreja Católica e das Forças Armadas. Ele já disse publicamente que está preparado para assumir o país num momento de ruptura. Como essa possibilidade provoca arrepios até mesmo nos mais ferrenhos opositores de Lula, pode-se concluir que o presidente deve terminar seu mandato como um morto-vivo que já não governa.

Pior que isso, é a vergonhosa manifestação prometida pela União Nacional dos Estudantes. A UNE acertou tudo dentro do Planalto e vai cobrar punição dos corruptos, poupando o presidente. Não se pode esquecer que a UNE recebeu este ano, R$ 1,2 milhão do governo.

O presidente da entidade, Gustavo Peta é controlado pelo Planalto e pelo PCdoB, partido ao qual é filiado, e considera plausível ocupar a Esplanada com cerca de dez mil estudantes para exigir moralização da política sem incluir o presidente Lula entre os implicados.

Para aqueles que preferem tergiversar sobre os fatos, vai um recado claro: a crise atingiu o âmago do governo e se a oposição já discute abertamente poupar Lula é por que está convencida que o presidente deixou de ser imbatível há muito tempo. Mas, o presidente, um servidor público eleito por quase 53 milhões de brasileiros, insiste em nada ver ou ouvir.

Provavelmente, seus filhos e os amigos deles, usaram os aviões da Força Aérea Brasileira, sem o seu conhecimento. Desfrutaram das delícias do poder e dos palácios, sem que Lula tivesse qualquer suspeita. O que então, faz o presidente que nada sabe ou que sabe apenas aquilo que lhe interessa?

É claro que a turma do “quanto pior melhor” está surfando a crise, mas não por conta das teorias conspiratórias da direita, na qual até o presidente venezuelano Hugo Chávez embarcou. As más companhias do governo foram levadas ao Planalto pelos operadores políticos de Lula, com suas bençãos.

Por sua história, ele não poderia ter aceito, mas o deslumbramento com o poder o cegou e o ensurdeceu. Ele preferiu ouvir Dirceu, Delúbio, Sílvio Pereira, Genoino e outros, a entender o que as ruas tentavam lhe dizer, como nas eleições de 2004, onde o PT perdeu prefeituras referenciais.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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