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A nova realidade política e o desafio de fortalecer o MERCOSUL

A nova realidade política e o desafio de fortalecer o MERCOSUL

04 de dezembro de 2019 - 11:57:29
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Marcelo Rech, especial de Bento Gonçalves (RS)

Nesta segunda-feira, 2, tivemos o início da 55ª Cúpula do MERCOSUL que se realiza até a próxima quinta, 5, no Vale dos Vinhedos, na serra gaúcha. Trata-se do segundo grande evento internacional realizado no Brasil em menos de 30 dias. Após o êxito da Cúpula do BRICS, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro chega ao Rio Grande do Sul com vários motivos para celebrar, especialmente o crescimento da economia, vetor que define presente e futuro político do país.

Mas, ele também encerrará a presidência brasileira do bloco, tendo de encarar a nova realidade política regional e o desafio de fortalecer o MERCOSUL. Grande parte da imprensa, nacional e internacional, reverbera o fracasso antecipado do evento, enfatizando o seu esvaziamento e questionando a data de sua realização cinco dias antes da posse do novo governo argentino.

No entanto, o MERCOSUL é muito maior que a presença de líderes. Há um setor privado na região que defende o seu aprofundamento, os negócios, o comércio. Que quer distância dos atritos e da política partidária. Talvez, este seja o principal desafio que se apresenta para o bloco neste momento de reconfiguração.

O MERCOSUL é um mecanismo que foi resgatado da metástase ideológica em que se encontrava e caminha para recuperar o seu perfil original. Para tanto, será necessário que os governantes dos países que o integram, privilegiem o pragmatismo, enxuguem as estruturas do bloco e direcionem os esforços para as ações que impactem o desenvolvimento econômico e social da região.

Grandes passos foram dados em 2018 e consolidados em 2019, como os tratados de livre comércio firmados com a União Europeia e a EFTA, além do lançamento das negociações com Japão, Singapura, Canadá, Coreia do Sul, Indonésia e Líbano.

O que também vem sendo interpretado como fruto das tensões recentes entre Argentina e Brasil, a revisão da Tarifa Externa Comum (TEC), não será concluída na Cúpula do Vale dos Vinhedos. Num gesto que acena com a conciliação necessária, o tema voltará à mesa quando as transições na Argentina e Uruguai estiverem concluídas. Faz todo sentido. Os governos de Alberto Fernández e Luis Lacalle Pou, não apenas devem ser consultados, devem participar das negociações. Para o bem e para que haja futuro para o MERCOSUL.

Marcelo Rech, 49, é o editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org