Brasília, 29 de setembro de 2020 - 03h59
A Operação Amazônia e o Míssil brasileiro de longo alcance, em destaque

A Operação Amazônia e o Míssil brasileiro de longo alcance, em destaque

16 de setembro de 2020 - 14:42:09
por: Marcelo Rech
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Brasília – Desde o dia 11 e até o próximo dia 22 de setembro, será realizada a Operação Amazônia que consiste em um exercício de dupla figuração em um quadro de Operações Convencionais de Guerra, inserida em um contexto de Combate à Forças Irregulares. O exercício ocorre na região rural e urbana do município de Humaitá (AM).

A Operação Amazônia, envolve cerca de 3.600 militares, e simula um ataque externo à região amazônica. “Fiquei impressionado com a concentração estratégica dos meios, particularmente do Exército brasileiro”, afirmou o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, que está na região desde o dia 14, para acompanhar o exercício militar.

Também presente no exercício, o comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, destacou a importância dos militares brasileiros estarem aptos a atuar na região. “A preparação para estarmos aptos a defender este rincão da Nação é extremamente importante. É um esforço muito grande, mas é nosso dever para com a sociedade brasileira nos prepararmos e treinarmos para se, um dia, houver a necessidade de defendermos nossa Amazônia. Por tudo que ela representa em termos de riquezas minerais, biodiversidade, para a economia e para a vida dos brasileiros”, destacou Pujol.

Míssil

Na terça-feira, 15, Fernando Azevedo, disse, em Manaus, que o projeto de criação de um míssil brasileiro capaz de percorrer 300 quilômetros de distância até seu alvo final está “em fase final de desenvolvimento”.

De acordo com o ministro, “falta muito pouco para ele complementar a artilharia de foguetes do Exército brasileiro, dando-nos um poder dissuasório muito grande”. Azevedo se referia ao estágio de produção do Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 – cujo desenvolvimento, junto com o Foguete Guiado SS-40, faz parte do Projeto Estratégico Astros 2020, lançado em 2011. Á época, o projeto recebeu R$ 45 milhões de crédito para aquisição de todo um novo sistema com alta mobilidade e capaz de lançar mísseis e foguetes a longas distâncias.

Com alcance de até 300 quilômetros de distância e uma precisão de até 30 metros, o armamento desenvolvido pela companhia nacional Avibrás ampliará o poderio bélico brasileiro, podendo ultrapassar os limites do território nacional e atingir alvos estratégicos muito além da capacidade dos foguetes hoje em uso no Brasil. Atualmente, a família de foguetes Astros compreende quatro modelos com menor alcance que variam entre 30, 40, 60 e 80 quilômetros.

O principal objetivo do AV-TM 300, explicou Fernando Azevedo, ao mencionar o “poder dissuasório” do armamento, é desencorajar eventuais ameaças externas. Além disso, o projeto Astros 2020 prevê outras iniciativas para dotar o país de “meios capazes de prestar um apoio de fogo de longo alcance, com elevada precisão e letalidade”.

Entre estas iniciativas está a implantação de unidades militares de mísseis e foguetes, de um centro de instrução e de bases administrativas. A previsão inicial era de que as primeiras unidades do AV-TM 300 fossem entregues ao Exército ainda este ano, mas eles deverão ser entregues entre 2021 e 2022.

Uma bateria do sistema de lançadores múltiplos de foguetes Astros 2020, já em uso pelo Exército, foi deslocada de Formosa (GO), a cerca de 90 quilômetros do centro de Brasília, até a região de Manaus, onde, até o próximo dia 23, efetivos das Forças Armadas participam da Operação Amazônia.

O ministro da Defesa informou que foram necessários dois meses para transportar a bateria do sistema de lançadores de foguetes pertencente ao 6º Grupo de Mísseis e Foguetes de Formosa até próximo a capital amazonense.