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Corrida Armamentista

20 de maro de 2005
por: InfoRel
O presidente venezuelano Hugo Chávez, é considerado um aliado do Brasil, alguém que a diplomacia brasileira sempre ajudou nos piores momentos. No entanto, a polà­tica externa do vizinho vem despertando preocupação nas autoridades vizinhas, e não poderia ser diferente no Brasil. Chávez tem seus passos seguidos com um misto de preocupação e expectativa.

Que ele está modernizando suas Forças Armadas e até treinando venezuelanos chavistas para enfrentar um possà­vel futuro golpe de Estado ou tentativa de assassinato, já é público. O que incomoda mesmo são suas alianças fora da região, com paà­ses considerados problemáticos, para se utilizar um termo menos rebuscado.

Além das compras militares que tem feito em paà­ses como Brasil, Espanha e Rússia, Chávez acaba de comprar um satélite de comunicações por US$ 300 milhões que dará ao paà­s, completa independência em matéria de telecomunicações. O satélite foi comprado da China.

Comenta-se que Chávez está pisando forte além de suas fronteiras para armar o paà­s até os dentes para um possà­vel conflito, presumivelmente, contra os Estados Unidos. A própria ministra venezuelana de Ciência e Tecnologia, admitiu que o satélite não foi adquirido para fins comerciais, mas de segurança e estratégia, embora a Venezuela participe do projeto Simon Bolà­var, de desenvolvimento de um satélite regional.

Esse satélite permitirá que Hugo Chávez coloque em prática, seu sonho de criar um canal internacional de notà­cias, a Telesur. Os governos dos demais paà­ses sul-americanos participariam do prometo como sócios minoritários. Tudo isso, graças aos elevados preços do petróleo no mercado internacional.

Mas, Chávez quer ir além. Ele pretende influir na eleição do novo Secretário-Geral da OEA, marcada para 7 de abril; na polà­tica dos paà­ses do Caribe centro-americanos. Esses paà­ses são beneficiados pelo Acordo Energético de Caracas, que lhes permite ter acesso ao petróleo venezuelano, junto com Cuba, em termos preferenciais.

O presidente da Venezuela, que conta com recursos do BNDES para concluir o metrô de Caracas, está financiando a construção de aeroportos na República Dominicana, além da compra de US$ 500 milhões em bônus da dà­vida argentina.

Esses exemplos despertam a inquietude não apenas dos Estados Unidos, onde Chávez sempre foi visto com desconfiança. Para os norte-americanos, Chávez é una influência desestabilizadora para a América Latina.

Por enquanto, o governo brasileiro prefere acompanhar tudo à  distância. Mas, sempre que pode, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa ’ao pé do ouvido’, com o colega. Na Colômbia, a preocupação também ganha dimensões importantes, afinal de contas, àlvaro Uribe vê seu vizinho armando-se até os dentes, numa zona onde florescem os exércitos irregulares.

Há não muito tempo, foram encontradas em poder de grupos guerrilheiros e paramilitares colombianos, armas que combateram nos paà­ses centro-americanos e Europa. Há quem afirme que a Venezuela não tem contingente para tantos fuzis, que coincidentemente, é o mesmo utilizado pelas Farc.

Um documento do Estado venezuelano, muito pouco conhecido, definiria explicitamente o atual rumo estratégico da revolução proposta por Hugo Chávez. Ele sustenta que há na América, dois eixos, e um deles é denominado Bogotá-Quito-Lima-LaPaz-Santiago do Chile, que se oporia à  Caracas. Segundo sua estratégia esse eixo deve ser quebrado para que se possa conformar a verdadeira unidade sul-americana.

Todos estes são temas que estarão na mesa de conversação entre os paà­ses provedores de armas – Espanha e Brasil -, e seu cliente endinheirado, a Venezuela. A reunião também é uma oportunidade para que a diplomacia colombiana haja com firmeza, uma vez que o paà­s está preocupado com a volúpia de Chávez, alimentada por Brasil e Espanha.

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