Brasília, 18 de novembro de 2018 - 21h52

Política

24 de fevereiro de 2016
por: InfoRel
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Marcelo Rech



Em 17 de abril, a Venezuela assumirá a presidência pro tempore da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), mecanismo criado em 2008 e que começa a ganhar corpo e musculatura política para “falar” em nome dos países da América do Sul. A região sob comando da Venezuela, sem dúvida gera uma série de temores.



O país enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história. Crise esta agravada com a polarização política que o dividiu, semeou o ódio entre seus cidadãos e não parece enxergar uma luz capaz de permitir a reconciliação.



O regime chavista não soube tirar proveito da bonança representada pelo petróleo que chegou a custar US$ 140 o barril. Em 17 anos, Hugo Chávez e Nicolás Maduro preferiram fazer política, exportar o tal “Socialismo do Século 21”, a transformar a realidade nacional.



Hoje, a Venezuela lida com uma crise moral, de credibilidade, de desabastecimento e escassez. Elementos inadmissíveis para um país que está entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo. Um país que não investiu em tecnologia para potencializar sua indústria petroleira e alavancar outros setores da economia.



O que antes de Chávez beneficiava uma elite conservadora, com Chávez passou a privilegiar uma casta de supostos líderes de esquerda que enraizaram a corrupção e enriqueceram a custa dos recursos naturais do país.



Mas, bonança nunca é para sempre. O mundo sempre viveu de ciclos e o regime não deu a mínima para o cenário que já se apresentava. Hoje, a Venezuela deve não nega e não paga. A dívida com fornecedores brasileiros supera os US$ 2 bilhões e se computados os valores que Caracas deveria aportar para a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, esta dívida salta para US$ 6 bilhões pelo menos.



Este país que tem a oposição no controle do Legislativo e o governo no restante dos poderes assumirá o comando do principal bloco de consertação política sul-americano. E o poder lhe chega num momento de transformação, em que a oposição a este modelo começa a mostrar alguma reação. Em 2014, quase, por muito pouco, não ganhou a eleição no Brasil. No ano passado, elegeu o presidente da Argentina e fez maioria qualificada na Assembléia Nacional venezuelana.



No domingo, 21, impõs nova derrota, agora na Bolívia no referendo em que Evo Morales pretendia perpetuar-se no poder. Antes favorito absoluto, hoje o líder cocaleiro vê o Não vencer nas urnas. Além disso, a sua popularidade despenca e ele já acumula 54% de rejeição popular.



A própria UNASUL passará por um processo eleitoral com o fim do mandato do atual Secretário-Geral, o ex-presidente colombiano Ernesto Samper Pizano. Ele trabalha para seguir à frente do bloco. Em setembro, os presidentes sul-americanos decidirão seu futuro.



Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru, não o querem mais. O consideram demasiado bolivariano para seguir no cargo. Bolívia, Brasil, Equador, Uruguai e Venezuela, querem mantê-lo. O cenário mostra que a região está rachada politicamente.



Um cenário que exige um comando capaz de dialogar, de moderar, negociar, usar da diplomacia para manter unida uma região que está cada vez mais integrada – unidade e integração são duas coisas bem diferentes na América do Sul.



Daí os temores em torno do papel que jogará a Venezuela neste contexto. Uma Venezuela confrontacionista só contribuirá para mais divisão e menos integração. E os temores não param por aí: a partir de julho, Caracas também assumirá o comando do MERCOSUL, bloco que cambaleia estagnado. Será num momento decisivo para o ingresso da Bolívia como membro pleno e de conclusão das negociações para o Tratado de Livre Comércio com a União Européia, o que a Venezuela sempre rejeitou por razões ideológicas. E com a Argentina pela frente trabalhando para desideologizar o bloco, algo tão importante quanto necessário.



Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa (www.inforel.org). E-mail: inforel@inforel.org.


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