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A Rússia e seus interesses estratégicos no Cáucaso

A Rússia e seus interesses estratégicos no Cáucaso

Marcelo Rech

O conflito recente entre a Ossétia do Sul e a Abecasia no Cáucaso serviu, entre outras coisas, para reafirmar os interesses russos na região e o recado ao mundo foi cristalino.

Além disso, é preciso esclarecer que as tensões de agosto de 2008 são precedidas por diversos eventos registrados nos últimos 18 anos na região.

A Geórgia é responsável por um genocídio que só não foi maior por conta de um armistício em 1992 que evitou uma carnificina de ossetas.

Em 2005, Mikhail Saakashvili chegou ao poder sem fazer segredo de suas ambições.

 

Até agosto de 2008, a Geórgia já tinha um grande potencial militar.

 

Saakashvili recebeu bilhões de dólares dos Estados Unidos que foram empregados na formação de dois blindados georgianos e quatro brigadas mecanizadas, vários batalhões de artilharia de campo e sistemas múltiplos de foguetes de artilharia, entre outros.

 

Conselheiros e especialistas militares dos Estados Unidos, Ucrânia, Israel, Turquia, Letônia e Polônia, eram comuns junto às tropas da Geórgia.

 

O presidente georgiano tinha, portanto, o respaldo político e militar necessário para fazer a guerra contra as repúblicas independentistas.

 

As exigências da Rússia de convocar uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas em 9 de agosto não produziu efeito.

 

Igualmente, o Conselho da Europa e da OSCE ignoraram os apelos de Moscou para considerar a situação na região.

 

Por outro lado, a posição do Kremlin no conflito Geórgia-Ossétia do Sul encontrou aprovação praticamente unânime na Rússia.

 

Mesmo os oposicionistas de extrema-direita não se atreveram em adotar posição contra as medidas severas contra a Geórgia até a intervenção militar no conflito ao lado da Ossétia do Sul.

 

Resultado da  aventura militar de Saakashvili

 

As autoridades cuidadosamente ocultaram do povo as perdas humanas das Forças Armadas da Geórgia.

 

Então, em agosto de 2008, a informação de que o Exército havia perdido entre três e cinco mil membros provocou uma deserção em massa.

 

Quase todos os veículos blindados, equipamentos de engenharia, engenharia naval e aeronáutica das Forças Armadas georgianas foram destruídas, os aeroportos militares e outras instalações militares saíram de operação.

 

O Exército perdeu quase todas as pequenas armas e munições e equipamentos militares armazenados em seus nos arsenais.

 

Os Estados Unidos e a OTAN tiveram que recuperar do zero a eficiência de combate do Exército georgiano.

 

Além disso, a Geórgia perdeu a capacidade de restaurar todos os laços com a Rússia num território onde vivem mais de cinco milhões de georgianos étnicos.

 

Os dois países suspenderam as relações diplomáticas diretas, não há nenhuma conexão de transporte, comércio e as relações econômicas são praticamente nulas.

 

Este quadro afeta a economia da Geórgia, cujas receitas substancialmente dependem do nível das relações com a vizinha Rússia.

 

Agora, a Geórgia vive principalmente da assistência econômica e financeira dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.

 

Mikhail Saakashvili impôs ainda a quebra unilateral das comunicações de dados com a Rússia, situação que persiste.

 

A televisão russa, mídia impressa e outros não estão disponíveis para a população georgiana. A guerra de informação contra a Rússia continua no país.

 

Diante do atual cenário, os Estados Unidos entendem que é melhor não estimular o sentimento anti-russo, mas, ao contrário, aproveitar cada oportunidade para restabelecer as relações com Moscou.

 

A Rússia foi a primeira em reconhecer formalmente a independência da Ossétia do Sul, apesar da profunda insatisfação por parte de Washington e das capitais européias.

 

O país, pela primeira vez em 40 anos, tem demonstrado aos seus parceiros estrangeiros uma nova política destinada à difícil defesa de seus interesses estratégicos.

 

Nos acontecimentos de agosto de 2008, a Rússia mostrou sua força e, como conseqüência, aumentou a sua autoridade e influência internacional.

 

Os Estados Unidos e a OTAN tiveram de reconhecer o peso de Moscou na manutenção da estabilidade no Cáucaso e, assim, seus interesses estratégicos na região.

 

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégia e Política de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

 

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