Opinião

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A Rússia e uma ação militar contra a Europa

A Rússia e uma ação militar contra a Europa

Marcelo Rech

Enquanto o mundo se ocupa das tensões entre Estados Unidos e Irã, com a troca de ameaças de parte a parte, passou completamente despercebido o alerta feito pelo Chefe do Comando das Forças Armadas da Rússia, general Nikolai Makarov, de que o seu país se prepara para um conflito nuclear.

Foi na semana passada. Ele falou publicamente. Deixou claro que conflitos locais e regionais podem resultar em uma guerra, inclusive com o uso de armas de destruição em massa.

Makarov não especificou quais seriam esses conflitos, mas podemos observar que uma das principais razões para a sua afirmação está na política anti-russa praticada pelos estados Bálticos e a Geórgia. Essa política desaguaria numa crise entre a Rússia e a Aliança Atlântica.

Moscou tem especial preocupação com os exercícios militares que se multiplicam na região próxima às suas fronteiras.

Entre 4 e 8 de abril de 2011, nos estados Bálticos, com a coordenação do Comando Europeu das Forças Armadas dos Estados Unidos e da principal força de ataque da OTAN, realizou-se o exercício de comando e equipe denominado Baltic Host.

O objetivo seria prover esses estados de um evento logístico que simulasse o deslocamento de milhares de soldados para o Báltico. Na oportunidade, toda a infraestrutura civil de estradas, ferrovias, hospitais, portos e aeroportos teriam sido tomados.

Quase que simultaneamente, entre 4 e 15 de abril, no Reino Unido, Suécia e nas águas adjacentes do Mar Báltico, aconteceu o Allied Air and Naval Forces Exercise Joint Warrior 2011 (algo como “Exercício Conjunto das Forças Aliadas Naval e Aérea 2011”) com a finalidade de uso de ponta de grupos aero-navais para estabelecer o conflito regional. Foram empregados 40 aviões, 40 navios de guerra e mais de 6 mil homens nos exercícios.

Além desses, também se realizou o Viking 2011, exercício da OTAN para aplicação de forças da Aliança em uma operação de manutenção da paz internacional. Na época, a OTAN anunciou a participação de 2 mil homens, mas pelo menos 8 mil participaram dos exercícios.

Em julho de 2011, na Lituânia e nas suas águas territoriais, foi realizado o Amber Hope, exercício que teve a participação de 2,2 mil militares de nove países: Canadá, Lituânia, Letônia, Estônia, Noruega, Polônia, EUA, Geórgia e Finlândia.

Ainda tivemos na Polônia, o exercício Dragão focado na coordenação e prática de ações de força terrestre; o exercício Águia para a Força Aérea e o exercício Piranha para a Marinha. No total, mais de 7,5 mil soldados dos EUA, Canadá, Alemanha e Polônia participaram das manobras.

Importante observar que não se trata apenas de uma mera preocupação por conta de exercícios militares “inocentes”. A Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmou recentemente que a Rússia é uma “ameaça potencial aos estados Bálticos.” Até a Suécia já discute internamente como reagir a um suposto ataque russo.

Pesquisa do Conselho Europeu em Relações Exteriores mostra que nove dos 27 integrantes da União Européia (Letônia, Lituânia, Estônia, República Tcheca, Polônia, Bulgária, Finlândia, Áustria, Espanha) vêem a Rússia como uma ameaça potencial.

A Rússia tem monitorado a situação e proposto repetidamente aos líderes da OTAN e dos estados europeus a limitarem as atividades militares na suas fronteiras e de Belarus, mas a Europa se mantém em silêncio.

Por outro lado, Moscou fez realizar-se entre 16 e 22 de setembro de 2011, na região de Ashuluk e Gorokhovets, um exercício operacional conjunto com as Forças Armadas de Belarus.

Cerca de 12 mil homens e 50 aviões e helicópteros, 105 tanques e 280 carros de combate blindados tomaram parte nas manobras.

A Rússia assegura que o exercício foi de natureza puramente defensiva, não dirigido contra qualquer Estado ou bloco militar, mas ficou bem claro que o país está disposto a defender-se e o fará sem vacilações.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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