Brasília, 21 de novembro de 2018 - 09h06

A sublevação no Equador e a situação de Honduras

01 de outubro de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



 



Pode não parecer, mas o que aconteceu nesta quinta-feira em Quito e Guayaquil, no Equador, pode impactar diretamente na situação de Honduras, país que segue à margem do sistema interamericano.



 



O presidente Rafael Correa afirmou que houve tentativa de golpe de Estado orquestrada pela oposição que, aproveitando-se de uma manifestação, viu uma oportunidade para derrubá-lo.



 



O Equador preside a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL). O bloco respondeu rapidamente às ameaças de ruptura.



 



Curioso: a UNASUL estuda convocar os ministros das Relações Exteriores dos países membros para discutir a situação de Honduras.



 



Para o bloco, o que houve em Honduras em junho do ano passado foi um golpe de Estado clássico com o envolvimento das Forças Armadas.



 



Ninguém foi punido e crescem as denúncias de violações dos direitos humanos inclusive com o assassinato de jornalistas e restrição das liberdades democráticas.



 



Manuel Zelaya foi para o exílio e os processos contra ele não foram arquivados como querem, por exemplo, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador e Venezuela.



 



O chanceler equatoriano Ricardo Patiño, afirmou em Assunção, que era preciso discutir o reingresso hondurenho à Organização dos Estados Americanos (OEA), mas que para isso, o atual presidente precisava dar demonstrações de que novas tentativas de golpe não existirão.



 



É muito complicado garantir o fortalecimento democrático quando após um evento como este não há punição.



 



Na prática, fica um exemplo negativo de que a ordem institucional pode ser quebrada sem conseqüências.



 



Quando essa realidade começava a ser tragada pela comunidade internacional, inclusive os latino-americanos, vemos as cenas de ataque ao presidente equatoriano.



 



Seguramente, aqueles que defendiam o imediato regresso de Honduras à OEA estão reconsiderando.



 



Honduras pagará o preço da incerteza.



 



Não por acaso, a própria OEA reagiu à violência em Quito quase em tempo real. O Mercosul e a UNASUL emitiram comunicados veementes.



 



As chancelarias cubana e brasileira foram as primeiras em emprestar solidariedade ao presidente legítimo do Equador.



 



União Européia e Estados Unidos, primeiro, França e Venezuela, em seguida, condenaram os atos praticados por policiais e militares das Forças Armadas.



 



O recado foi claro: golpe de Estado não será tolerado.




Mas, os que se sublevaram também emitiram uma importante mensagem: não estamos distantes dessa ameaça. Nenhum de nós.



 



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, e Terrorismo e contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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