Opinião

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A sublevação no Equador e a situação de Honduras

A sublevação no Equador e a situação de Honduras

Marcelo Rech

 

Pode não parecer, mas o que aconteceu nesta quinta-feira em Quito e Guayaquil, no Equador, pode impactar diretamente na situação de Honduras, país que segue à margem do sistema interamericano.

 

O presidente Rafael Correa afirmou que houve tentativa de golpe de Estado orquestrada pela oposição que, aproveitando-se de uma manifestação, viu uma oportunidade para derrubá-lo.

 

O Equador preside a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL). O bloco respondeu rapidamente às ameaças de ruptura.

 

Curioso: a UNASUL estuda convocar os ministros das Relações Exteriores dos países membros para discutir a situação de Honduras.

 

Para o bloco, o que houve em Honduras em junho do ano passado foi um golpe de Estado clássico com o envolvimento das Forças Armadas.

 

Ninguém foi punido e crescem as denúncias de violações dos direitos humanos inclusive com o assassinato de jornalistas e restrição das liberdades democráticas.

 

Manuel Zelaya foi para o exílio e os processos contra ele não foram arquivados como querem, por exemplo, Argentina, Bolívia, Brasil, Equador e Venezuela.

 

O chanceler equatoriano Ricardo Patiño, afirmou em Assunção, que era preciso discutir o reingresso hondurenho à Organização dos Estados Americanos (OEA), mas que para isso, o atual presidente precisava dar demonstrações de que novas tentativas de golpe não existirão.

 

É muito complicado garantir o fortalecimento democrático quando após um evento como este não há punição.

 

Na prática, fica um exemplo negativo de que a ordem institucional pode ser quebrada sem conseqüências.

 

Quando essa realidade começava a ser tragada pela comunidade internacional, inclusive os latino-americanos, vemos as cenas de ataque ao presidente equatoriano.

 

Seguramente, aqueles que defendiam o imediato regresso de Honduras à OEA estão reconsiderando.

 

Honduras pagará o preço da incerteza.

 

Não por acaso, a própria OEA reagiu à violência em Quito quase em tempo real. O Mercosul e a UNASUL emitiram comunicados veementes.

 

As chancelarias cubana e brasileira foram as primeiras em emprestar solidariedade ao presidente legítimo do Equador.

 

União Européia e Estados Unidos, primeiro, França e Venezuela, em seguida, condenaram os atos praticados por policiais e militares das Forças Armadas.

 

O recado foi claro: golpe de Estado não será tolerado.


Mas, os que se sublevaram também emitiram uma importante mensagem: não estamos distantes dessa ameaça. Nenhum de nós.

 

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, e Terrorismo e contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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