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22/08/2015
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22/08/2015

Brasil – Alemanha

A torre da Ciência na floresta

Aldo Rebelo

Entre os acordos firmados por Brasil e Alemanha, na visita da chanceler Angela Merkel ao nosso País, um antecipou-se vitorioso na Amazônia: o Observatório da Torre Alta. Com 325 metros de altura, abrangerá a maior superfície florestal do planeta. É o mais elevado observatório do clima existente no mundo, vinte metros maior que um similar da Sibéria e, para comparação mais visível, um acima da Torre Eiffel de Paris. Sua maior grandeza, porém, está na utilidade. A Torre Alta de Observação da Amazônia colherá partículas de ar a cada cinco segundos para que os cientistas analisem a influência do bioma amazônico no clima do planeta.

A Torre, a ser inaugurada hoje (22), com duas subsidiárias menores e equipamentos de última geração tecnológica, é uma iniciativa dos governos do Brasil e Alemanha numa conjuntura em que o clima da Terra causa grande preocupação e interesse científicos. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, coordena o projeto em associação com a Universidade do Amazonas e o Instituto Max Planck de Química. Os cientistas brasileiros relatam que o complexo da torre permitirá, em duas a três décadas, medir com precisão os efeitos das mudanças climáticas globais nos ecossistemas da Floresta Amazônica, em particular os associados ao aumento da temperatura do ar, ao crescimento da concentração de gás carbônico na atmosfera e às possíveis alterações dos regimes de chuva na região.

O Brasil lidera esse projeto com a convicção de que tem papel de liderança nos movimentos geopolíticos e científicos em torno das mudanças ambientais em curso no planeta. Os países mais desenvolvidos já destruíram suas florestas, secaram ou envenenaram rios, e continuam a poluir o ar, despejando quantidades astronômicas de gases. De nossa parte, somos o país que mais preservou a mata nativa, apesar das campanhas cavilosas que nos apontam como predadores inveterados. Segundo o pesquisador da Embrapa Evaristo

Eduardo de Miranda, há oito milênios, quando era zero nossa capacidade de destruição, tínhamos 9,8% das florestas mundiais; hoje elas somam 28,3%. Mantivemos de pé nada menos de 69,4% das florestas primitivas. As áreas reservadas, na forma de parques, florestas nacionais etc. somam 478 unidades de conservação federais e estaduais sob proteção integral, com 37 milhões de hectares, além de 436 áreas de uso sustentável que se estendem por 74 milhões de hectares. A Torre Alta de Observação da Amazônia está localizada, por sinal, em área de conservação, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, nos municípios amazonenses de São Sebastião Uatumã e Itapiranga.

Nos debates sobre o clima, enquanto os países industrializados resistem a mudar as matrizes energéticas que poluem o planeta, o Brasil aplica um programa voluntário de conquistar avanços científicos e desenvolver ações de campo para atenuar as emissões de gases considerados como aceleradores do efeito estufa.

O Código Florestal, por mim relatado na Câmara dos Deputados, constitui trunfo do Brasil nas negociações do clima, por prever a recomposição em larga escala de áreas de preservação permanente e reservas de vegetação nativa.

A Torre do Uatumã é, em metros, o ponto mais alto dessa vigilância, para podermos combinar a indispensável e urgente proteção do meio ambiente com uma política de desenvolvimento autônoma que traga progresso e bem-estar ao povo brasileiro.

Aldo Rebelo é o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação

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