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A Ucrânia e sua situação econômica

A Ucrânia e sua situação econômica

Marcelo Rech

A Ucrânia é um parceiro estratégico do Brasil principalmente no campo aeroespacial com o projeto Cyclone-4. Desde o início, o projeto vem sendo marcado por problemas, essencialmente econômicos. No ano passado, estive em Alcântara (MA) e pude constatar in loco a situação de abandono do que deveriam ser a torre de lançamentos e a base da binacional Alcântara Cyclone Space.

Mesmo que haja recursos urgentes, parte da infraestrutura já está perdida. Com a crise na Ucrânia, também devemos nos perguntar se Kiev poderá e terá condições e interesse em manter o projeto?

Não é novidade para ninguém que a Ucrânia está à beira da falência. Especialistas internacionais não têm dúvidas quanto à complexidade do problema e as incertezas em relação à capacidade que autoridades regionais e centrais do país terão para honrar as dívidas.

O país vive um caos na capital e nas regiões do oeste, enfrentou a derrubada de um governo e já vinha lidando com um processo catastrófico de sua economia.

Os líderes interinos declararam ter encontrado os cofres vazios. Não há receita fiscal e não existe dinheiro para pagar pensões e salários do setor público. O Banco Nacional é incapaz de conter o declínio rápido da moeda local, enquanto as pessoas continuam sacando seus recursos e comprando dólares.

A situação agravou-se a ponto de muitos bancos limitarem a venda da moeda estrangeira e imporem limites e restrições aos saques e depósitos. O valor do dólar disparou e para esses mesmos especialistas, ainda está longe do limite.

O colapso da economia ucraniana e de suas finanças pode se confirmar ainda neste mês. Hoje, Kiev não tem para pagar o básico e conta com a ajuda externa prometida, por exemplo, pela União Europeia.

No entanto, toda a ajuda que a UE pode prover ainda depende de aprovação do bloco, algo que também não é simples. Inclusive, porque a própria União Europeia tem os seus problemas internos.

Sabe-se que o objetivo dos europeus é, por meio de dinheiro, minimizar o impacto da crise que também é política, mas obviamente, muitos se perguntarão por que a UE dá dinheiro à Ucrânia que não é membro do bloco e não tem acordo com ele? Por que a Ucrânia receberá dinheiro e outros países-membros da UE e com tantos e graves problemas econômicos, não recebem? Por que bilionários ucranianos não ajudam o seu país neste momento?

Enquanto isso, as estimativas mostram que a salvação econômica da Ucrânia passa necessariamente por um aporte de pelo menos US$ 35 bilhões nos próximos dois anos. Neste contexto, poucos acreditam que um empréstimo externo desta envergadura será devolvido algum dia.

Os cenários mostram que a Ucrânia poderá receber ajuda externa do Fundo Monetário Internacional (FMI) no período de criação do governo interino até as eleições de maio. Especula-se num crédito de até US$ 15,5 bilhões.

Como poucos creem que estes recursos serão pagos, a Ucrânia os receberá em troca de um arrocho na economia que impactará fortemente a redução no pagamento das pensões, aumento da idade para aposentadoria e abolição de todos os privilégios para habitação, aumento nos preços do gás para empresas e indivíduos, e muito mais.

Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org

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