Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 06h53

A vez do Brasil

26 de maio de 2010
por: InfoRel
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Fernanda Fernandes



O Brasil deixou de ser mero espectador do baile da globalização para tornar-se um dos atores principais do cenário atual, vivendo, segundo analistas, uma das melhores fases da sua história.



O fato de ter saído fortalecido da crise econômica mundial, iniciada em 2008, através de políticas fiscal e monetária expansionsistas que superaram a fase de adversidade sem descontrole da inflação e da dívida pública, mostra uma atuação cada vez mais afirmativa desse país que durante os primeiros anos da globalização era apenas um seguidor do receituário neoliberal.



Mas apesar dos vários avanços e conquistas, há ainda muitos desafios a enfrentar.



Desigualdades sociais, que, mesmo tendo sido reduzidas, fazem com que os bons resultados econômicos não resultem em benefícios perceptíveis à largas parcelas da população, e baixo incentivo à educação são problemas, de longa data, ainda apresentados. Mas para o Brasil: é hora de avançar.



Seu crescimento econômico pode não ser espetacular, mas vem avançando solidamente e resultados recentes apontam para crescimento futuro vigoroso.



Para muitos, o nível atual de 5% pode parecer minúsculo comparado aos seus parceiros do BRIC, mas se dá sobre uma base muito superior: sua renda per capita está em 4 720 dólares, ante 2 010 dólares da China e 820 dólares da Índia, segundo dados do Banco Mundial e, diferentemente da Rússia, o crescimento brasileiro não depende hoje de uma única commodity, variando de minério de ferro e suco de laranja a aviões.



Além disso, o Brasil convive com a possibilidade de tornar-se potência energética graças ao etanol e à descoberta do pré-sal e conta com a expansão da demanda doméstica, fator que contribuiu para amenizar os efeitos da crise.



Destaca-se ainda a crescente internacionalização das empresas brasileiras que posicionam o país como competidor no capitalismo mundial.



A nova imagem internacional do Brasil não decorre apenas de seu crescimento, suas políticas econômicas e seus padrões de comércio: o país, diferentemente da China ou Rússia, tem uma democracia cada vez mais robusta, onde o progresso social é visível.



Por exemplo, a proporção de brasileiros vivendo na pobreza caiu de 48% em 1990 para 33% em 2006, segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL).



Assim, a combinação de crescimento estável, base diversificada de recursos naturais, política democrática relativamente previsível e progresso social que está criando uma sociedade de classe média - e de consumo de massas - vêm chamando a atenção de outros países para o Brasil, especialmente nos últimos cinco anos.



Medidas de médio e longo prazo devem ser tomadas para permitir o crescimento da economia a taxas mais altas e a melhoria da competitividade, com investimentos nos setores científico e tecnológico.



Além das reformas estruturais, o país deve fazer da baixa inflação uma expectativa de longo prazo, atraindo tremendamente mais investimentos estrangeiros do que hoje.



Contudo, a concessão do investment grade pelas agências avaliadoras de risco já permite que fundos de pensão gigantescos invistam no Brasil.



As infra-estruturas de transporte e de energia elétrica clamam por uma revitalização, principalmente com as realizações da Copa do Mundo e as Olimpíadas.



Ao Brasil, não resta outra alternativa senão transformar a retórica em ação, com determinação e vontade política. Nesse ponto, a Índia pode ter algumas lições para nos dar.



Cabe também, a partir desse momento de alinhamento entre crescimento econômico e projeção internacional, perder um pouco da “timidez” histórica e, através de uma influência mais assertiva no meio internacional, onde o Brasil vem sendo ator necessário no debate das principais questões mundiais – sobre meio ambiente, crise econômica ou conflitos internacionais –  bancar a postura de peça inovadora da emergente ordem internacional.



É a hora Brasil!



Fernanda Fernandes é Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Candido Mendes. Atualmente é pesquisadora do Centro de Estudos das Américas (CEAs)/ Universidade Candido Mendes e integrante da equipe de coordenação da Escola Sérgio Vieira de Mello - EPAZ (IH/UCAM).

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