Opinião

Congresso Nacional
28/09/2005
Seminário Internacional
28/09/2005

Câmara dos Deputados

A vitória de Aldo Rebelo não põe fim à crise política

Marcelo Rech

A vitória de Aldo Rebelo, eleito presidente da Câmara dos Deputados, eleito na noite desta quarta-feira, é importante para o governo, mas não será suficiente para pôr fim à crise política. Com 258 votos, a eleição de Rebelo revela que o governo não tem maioria confortável para debelar os problemas na Câmara.

Com essa votação, o governo não consegue aprovar, por exemplo, uma emenda constitucional. No entanto, sua vitória é um alento importante para o governo que vinha sofrendo revezes até mesmo nas comissões temáticas da Casa.

Com seu estilo tranqüilo e firme ao mesmo tempo, o deputado Aldo Rebelo reúne todas as condições para fazer a Câmara avançar na pauta de votações. Seu comportamento em relação aos processos em tramitação no Conselho de Ética também será determinante para se recuperar a imagem da Casa.

Diplomático e conciliador, ele põe fim ao curto reinado do baixo, além de emprestar maior credibilidade a Casa. Com 14 anos de mandato, foi o melhor presidente que a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional já teve, razão pela qual, teve seu nome diversas vezes cogitado para o ministério da Defesa.

Aliás, foi ele quem introduziu os temas de soberania e defesa nacional entre as atribuições da Câmara dos Deputados. É um nacionalista, um estudioso dos problemas brasileiros, que reúne discrição com persuasão, qualidades mais que necessárias para o presidente de um poder que vive sob suspeição.

Na qualidade de líder do governo, não perdeu uma única votação em 2003. Apesar das insinuações lançadas nesta quarta-feira de que só teria ganhado porque havia o mensalão, quem conhece Aldo Rebelo sabe de sua decência e de sua capacidade de convencimento.

Até mesmo o PT que sempre o boicotou, rendeu-se por entender que uma nova tragédia se avizinhava. Foi igualmente determinante o papel exercido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que sempre resistiu à saída de Rebelo da sua equipe no Planalto.

Se acaso saiu desgastado de lá, mostrou capacidade de reação e força e não pode ter sua eleição debitada apenas nos esforços feitos pelo governo nos bastidores.

Aldo Rebelo ficou pouco tempo no ostracismo, após deixar o Planalto, e agora terá a missão de reagrupar a base governista e fazer a Câmara sair da letargia. Para quem veio do interior de Alagoas e construiu carreira política em São Paulo, Rebelo tem todas as credenciais para imprimir um ritmo de trabalho que convença a sociedade da importância de se viver num regime democrático.

Como se trata de um exímio conhecedor das potencialidades e mazelas do Brasil, além das questões estratégicas, Aldo Rebelo seguramente saberá dialogar com todas as forças políticas para elaborar uma agenda positiva que resgate a imagem da Câmara dos Deputados, de seus integrantes e até mesmo do governo.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *