Brasília, 15 de setembro de 2019 - 10h12
ABIN terá novo diretor e programa de reestruturação

ABIN terá novo diretor e programa de reestruturação

28 de junho de 2019 - 15:52:29
por: Marcelo Rech
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Brasília – O Senado aprovou nesta semana, o nome do delegado da Polícia Federal, Alexandre Ramagem Rodrigues, para o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Em sua sabatina, Ramagem destacou a importância de implementar um programa de reestruturação da agência.

Na quarta-feira, 26, ele foi sabatinado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, sendo, posteriormente, aprovado por 14 votos, nenhum voto contra e nenhuma abstenção. Ramagem é uma escolha pessoal do presidente Jair Bolsonaro, mas que contou com o forte apoio dos generais Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do ex-Comandante do Exército, Eduardo Dias Villas Bôas.

O nome do delegado foi ratificado pelo Plenário do Senado na quinta, 27, com 64 votos a favor, 3 contra e 2 abstenções.

Alexandre Ramagem Rodrigues iniciou na função de policial federal no Estado de Roraima, oriundo da primeira turma de delegados do concurso de 2005. Em 2007, foi nomeado Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, período em que a Polícia Federal em Roraima desenvolveu capacidade de inteligência operacional elevada, com repressão a crimes financeiros, fazendários, com combate a entorpecentes e demais ilícitos.

“Logo fui alçado à função de Delegado Regional Executivo e substituto Superintendente Regional, ingressando, assim, na atuação de gestão do órgão policial. Nesse período, a Superintendência de Roraima executou planejamento de atuação em pleito eleitoral, que se tornou um dos modelos para emprego pelo órgão central a outras unidades da Federação”, explicou.

No ano de 2011, assumiu, em Brasília, a chefia da Unidade de Repressão a Crimes contra a Pessoa. “Em retorno ao exercício das atividades de repressão e inteligência, fui convidado em 2015 a desenvolver base operacional e de inteligência no Estado do Amazonas como coordenador do Grupo de Investigações Sensíveis de Repressão ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes, com atuação em operações contra facções, PCC, Comando Vermelho e Família do Norte, e ainda integração de inteligência com países estrangeiros, com resultado de apreensões de entorpecentes no México, Estados Unidos e Venezuela”, acrescentou.

O delegado atuou ainda na coordenação do evento Conferência das Nações Unidas Rio+20 em 2012; Copa das Confederações em 2013; Copa do Mundo 2014; reunião BRICS e UNASUL em 2014; e coordenador operacional das Olimpíadas Rio 2016. Em 2017, integrou a equipe de investigação e inteligência da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

No início de 2018, retornou ao órgão central da Polícia Federal, agora para assumir como substituto da Diretoria de Gestão de Pessoal na função de Coordenador de Recursos Humanos, com atuação de gestão sobre todo o efetivo policial e administrativo e superintendências regionais, além de atuação junto à Esplanada dos Ministérios e a outros Poderes nos assuntos concernentes à instituição.

“No segundo semestre de 2018, fui convocado a assumir a coordenação da segurança do presidente eleito Jair Bolsonaro. Essa missão de coordenação culminou no empreendimento de trabalho intenso de inteligência, inclusive de forma integrada a outros órgãos e entes, com todos os cuidados e análises inerentes até o evento posse presidencial”, assinalou.

No começo do ano, Alexandre Ramagem foi convidado a assumir a Superintendência da Polícia Federal no Ceará em meio à grave crise de segurança pública. Acabou sendo nomeado, mas não assumiu, tendo sido requisitado para atuar como assessor especial da Secretaria de Governo da Presidência da República em função direta de auxílio ao então ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Segundo ele, “à inteligência cabe acompanhar e avaliar conjunturas internas e externas, buscando identificar ameaças, riscos e oportunidades aos interesses nacionais. Entre as principais ameaças ao Estado brasileiro, contra as quais a atividade de inteligência deve atuar, estão espionagem, sabotagem, interferência externa, ações contrárias à soberania nacional, ataques cibernéticos, terrorismo, armas de destruição em massa, criminalidade organizada e corrupção”, disse.

Para o delegado, “neste momento, é necessário empregar esforços para fortalecimento dos instrumentos essenciais da inteligência de Estado, valorizando e empreendendo ações integradas, com intercâmbio de dados e conhecimentos em âmbito nacional e internacional”.

Cyberdefesa

Em 2018, houve o registro de cerca de 20 mil ataques aos sistemas brasileiros, metade deles confirmados, cerca de 10 mil ataques confirmados por ano, o que dá cerca de quase um ataque por hora no Brasil. “Em sua maioria, são ataques para derrubar um site, para problemas insignificantes, mas mais de um terço deles em questões de fraudes ou captação de dados. Desde 2014 não se baixa esse nível de 9 mil ataques confirmados, fora o que nós não temos conhecimento, dadas as nossas capacidades”, revelou Ramagem.

“O orçamento é reduzido, não se compara às grandes potências. Estamos no nível de congêneres médias. Cerca de 90% do nosso orçamento é para pessoal e custeio. A questão dos investimentos é que é uma necessidade. Eu venho e virei sempre com os senhores para trabalhar esses desenvolvimentos de legislação de tratamento para delimitar, de forma cirúrgica, quais investimentos para ter resultados a apresentar para a nossa sociedade. Toda nação de Primeiro Mundo, toda economia pujante, toda democracia consolidada tem uma inteligência de confiança de suas instituições e da sociedade. É onde a gente quer levar a nossa Abin neste momento”, concluiu.