Brasília, 12 de novembro de 2019 - 07h36
Acordo de Livre Comércio terá importância geopolítica além da Europa e MERCOSUL

Acordo de Livre Comércio terá importância geopolítica além da Europa e MERCOSUL

03 de outubro de 2019 - 11:11:18
por: Marcelo Rech
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Brasília - “O acordo (de Livre Comércio) terá importância geopolítica além da Europa e do MERCOSUL e mostrará ao mundo o compromisso de duas regiões na cooperação política e de comércio livre e justo”, afirmou o Conselheiro de Comércio da Delegação da União Europeia no Brasil, Joachim Jakonsen.

Nesta quarta-feira, 2, ele participou de seminário, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, OAB/SC e o Módulo Jean Monnet CCJ/UFSC, que debateu os impactos e as oportunidades do acordo MERCOSUL – UE. “Também servirá de plataforma para modernizar e diversificar as economias dos países do MERCOSUL e promover reformas estruturais para alavancar as oportunidades que o mercado oferece”, disse Joachim. 

O diplomata citou estudos que estimam que a partir do acordo as exportações brasileiras podem aumentar em até 23,6% em dez anos. O PIB até 2030 deve expandir 2,8% e o poder de compra tende a aumentar até 15%. Ele citou os benefícios que o Chile obteve a partir de acordo com o bloco europeu. De 2003 a 2018, o comércio bilateral de bens duplicou: passou de 7,7 bilhões de euros para 18,5 bilhões de euros. Além disso, 91% das exportações chilenas utilizaram o acordo.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, salientou a importância do acordo, especialmente para aumentar a participação brasileira no comércio mundial. “Já fomos a sétima economia e hoje somos a nona. Temos que estar preparados para essa abertura de mercado. A Europa nos oferece um potencial enorme e poderá beneficiar nossa economia”, assinalou.

A vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, destacou que a entrada em vigor do acordo representará avanços econômicos, políticos e sociais para os países envolvidos, proporcionando desenvolvimento e geração de empregos. As exportações são condição efetiva para podermos retomar o crescimento. Sem dúvida, serão inúmeros benefícios, mas também teremos que nos comprometer e assumir desafios”, declarou. 

Já o presidente da OAB-SC, Rafael Horn, lembrou que o acordo vai impactar principalmente os produtos industriais e agropecuários. “É importante debater o que se pretende para fins de homologação pelos parlamentos dos países que integram o acordo. Levou 20 anos para sair e envolve 28 países da União Europeia que respondem por 25% do PIB mundial. São dados que por si só mostram a relevância do tema”, afirmou.

“É um acordo extremamente complexo, tem muitas páginas e anexos e a parte de origem de produtos é extensa e detalhada. Está em fase de redação para que seja, de fato, disponibilizado para os processos de ratificação pelos países”, adiantou a professora Aline Beltrame de Moura, coordenadora do Módulo Jean Monnet, iniciativa financiada pela Comissão Europeia.

Ainda pela FIESC, participaram de debate a presidente da Câmara de Comércio Exterior, Maria Teresa Bustamante, e o presidente da Câmaras de Tecnologia, Alexandre D'Ávila da Cunha.