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Acordo militar Brasil–EUA: a região quer respostas

Acordo militar Brasil – EUA: a região quer respostas

Marcelo Rech

No ano passado, o Brasil liderou um grupo de países da região para exigir garantias da Colômbia e dos Estados Unidos, em relação ao acordo militar que firmaram em Bogotá.

O acordo permite que sete bases militares colombianas sejam utilizadas por cerca de 1.800 soldados norte-americanos que atuam no país.

Hugo Chávez fez do assunto seu principal argumento para comprar US$ 5 bilhões em armamentos da Rússia.

Apesar do cuidado do ministério da Defesa que informou em março, todos os países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a respeito das negociações, o assunto gera mal estar.

A Colômbia, por exemplo, quer saber se a Venezuela pretende congelar as relações com o Brasil.

Trata-se de uma ironia inteligente.

Tem sido uma tradição a Venezuela de Chávez romper relações com países que se animam a estreitar relações com os Estados Unidos.

Por que seria diferente com o Brasil?

Recentemente, os departamentos de Defesa e de Estado, dos Estados Unidos, reclamaram falta de transparência nas negociações entre Venezuela e Rússia.

O acordo Brasil – Estados Unidos se tornou público quando as negociações já estavam concluídas.

Na semana passada, o principal responsável pela política externa norte-americana para o Hemisfério Ocidental, Arturo Valenzuela, realizou um giro pela região.

No Equador, afirmou que o acordo com o Brasil era parte da política ordinária norte-americana e que o presidente Barack Obama diferentemente de seu antecessor, preza pelo multilateralismo.

Na prática, são dois pesos e duas medidas.

O acordo que acaba de assinar com os Estados Unidos tira do Brasil qualquer possibilidade de exigir transparência dos seus vizinhos.

Foi gestado com interesses comerciais.

Pode influenciar na compra e na venda de equipamentos sabe-se lá com que níveis de entendimento.

Também atende a uma antiga demanda de militares brasileiros que por um bom tempo foram alijados das escolas norte-americanas por discordâncias ideológicas.

Cabe saber: será que o Senado, tão duro com as políticas do Brasil para o Irã e Cuba, vai cobrar explicações do senhor ministro?

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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