Opinião

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Acordo militar: cai a máscara

Acordo militar: cai a máscara

Marcelo Rech

O polêmico acordo militar firmado no dia 30 de outubro pelos governos da Colômbia e dos Estados Unidos está voltado convenientemente para o monitoramento da América do Sul.

Os interesses e ambições dos Estados Unidos balizam os países da região como amigos ou inimigos.

Fincar pé em sete bases militares com pessoal e equipamentos significa poder atuar quando julgar necessário.

Embora os Estados Unidos digam o contrário, o acordo pretende intimidar os que insistem em se opor aos seus objetivos.

Sem a renovação do acordo que lhe permitia usar para tais objetivos a base de Manta, no Equador, os Estados Unidos buscou um parceiro confiável onde pudesse criar raízes sem ser importunado.

Preocupado com o congelamento do acordo de livre comércio entre o seu país e a maior potência econômica e militar do planeta, Álvaro Uribe fez o que considerou uma troca justa.

Abre o país definitivamente para os militares dos Estados Unidos e ganha seu TLC.

A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) até que ensaiou uma pressão, mas como grande parte dos mecanismos regionais, encolheu-se e calou.

A Venezuela reagiu. Hugo Chávez colocou o país em prontidão.

Para muitos, um chamado à guerra. Para outros, uma forma de desviar as atenções dos venezuelanos por conta das dificuldades internas.

A Venezuela é o grande foco dessa mobilização e uma ação mais contundente de Chávez será suficiente para que os Estados Unidos intervenham.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou garantias por escrito de Uribe e Obama. Não as recebeu. Não vai insistir. Não quer problemas com seus aliados à direita.

Já o Exército brasileiro mantém em sua doutrina a preocupação com as ações dos Estados Unidos na região.

A instituição entende que há razões para se desconfiar dos norte-americanos presentes na Colômbia dada a proximidade com a Amazônia brasileira, cobiçada pelas grandes potências de forma explícita.

De fato, desde 2002 com a implementação do Plano Colômbia, os militares norte-americanos se fazem presentes na Amazônia.

Os fatos revelados antes e após a assinatura do acordo militar mostram que os Estados Unidos não estão alheios ao que ocorre na região.

Embora continuem tratando a América Latina como seu quintal, deixam transparecer que certas atitudes de governantes como Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e Daniel Ortega, começam a irritar.

E não podemos esquecer a reativação da IV Frota da Marinha dos Estados Unidos que a pretexto de ajuda humanitária, voltou a atuar em nossas costas.

Outro detalhe importante: aos Estados Unidos não interessa que nenhum projeto de integração regional seja exitoso.

Mercosul, Unasul, Conselho Sul-Americano de Defesa….não interessa. Se for algo em que não possam colocar as patas, é melhor que não existam.

Na prática, é isso que ocorre.

As tensões entre Bogotá e Caracas, entre Lima e Santiago, entre Buenos Aires e Brasília, entre Brasília e Assunção, todas cumprem fielmente o que se espera nos Estados Unidos de uma zona tratada com desprezo arrogante e friamente medido.

O acordo militar deveria representar para a América Latina como um todo e para a América do Sul em especial, uma oportunidade de integração e fortalecimento.

Do contrário, vamos continuar desempenhando papéis secundários nas decisões que nos acometem.

Quanto mais nos desentendemos, melhor para eles.

Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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