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17/10/2005

Assuntos Estratégicos

Acordo nuclear sul-americano preocupa Estados Unidos

A proposta do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de firmar um acordo de cooperação trilateral com Brasil e Argentina, para o desenvolvimento de pesquisas na área nuclear, preocupa o governo dos Estados Unidos e poderá ser um dos temas principais da Cúpula das Américas que será realizada no mês que vem na Argentina, e nas conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, em Brasília, no dia 6 de novembro.

Para o governo brasileiro, não há nenhum problema, uma vez que Brasil, Argentina e Venezuela possuem programas nucleares para fins pacíficos e sem conotações militares. Na década de 1980, Brasil e Argentina firmaram um acordo de cooperação que acabou desaguando na criação da Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle [ABACC], em 27 de março de 1992.

No mês de maio, Chávez havia feito a mesma proposta, incluindo o Irã. O governo brasileiro preferiu desconversar. Desta vez, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, afirma que a proposta pode evoluir, embora a Venezuela não possua infra-estrutura física ou de pesquisas nessa área.

Na época, os ministros Celso Amorim e Eduardo Campos, então na Ciência e Tecnologia, descartaram qualquer tipo de acordo nesse sentido.

Na semana passada, Hugo Chávez propôs a compra de um reator nuclear argentino, de tamanho médio fabricado pela Invap. O negócio vem sendo tratado pela estatal Petróleos da Venezuela [PDVSA], desde agosto.

O governo argentino tem sido pressionado pelos Estados Unidos a não fechar negócio com Chávez, mas o chanceler Rafael Bielsa afirmou que a Argentina tem interesse em vender o reator aos venezuelanos.

Os norte-americanos duvidam das pretensões de Chávez, uma vez que a Venezuela é o quinto maior produtor de petróleo do mundo e não tem problemas para gerar energia. Segundo fontes do governo da Venezuela, o reator seria instalado na região do rio Orinoco, onde futuramente será construído um gasoduto e onde estão as maiores reservas de petróleo do país. A Venezuela que um reator Carem, de baixa potência, que proporciona 25 MW de energia.

A Argentina, por sua vez, já tem experiência na venda de tecnologia nuclear para projetos de reatores. Austrália, Argélia, Canadá, Peru e Egito já fizeram negócio com Buenos Aires. Os argentinos, no entanto, ressaltam que a venda só poderá ser concretizada observados os tratados internacionais e a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica e que a participação do Irã nesse projeto pode impedir sua concretização.

Caracas – Washington

Enquanto isso, o assessor internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, revelou em Salamanca, por ocasião da XV Cúpula Ibero-americana, que o governo brasileiro está decidido a diminuir as tensões entre Caracas e Washington.

Segundo ele, o próprio presidente Lula estaria fazendo gestões neste sentido. O chanceler venezuelano Alí Rodríguez confirmou que o Brasil trabalha para melhorar as relações entre Venezuela e Estados Unidos.

Para Garcia, é importante que os dois países estejam abertos ao diálogo. Ele tratou do assunto com o secretario-adjunto de Estado dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que acusou Chávez de populista e de colocar em risco as instituições venezuelanas. Ele também critica a postura do presidente venezuelano de tentar exportar sua revolução bolivariana.

Embora o governo brasileiro não reconheça, a possibilidade de se firmar um acordo nuclear com a Venezuela poderá resultar no cancelamento da visita que o presidente George W. Bush fará ao Brasil após a Cúpula de Mar del Plata. Lula foi criticado por Zoellick, por ter afirmado que na Venezuela existe democracia até demais.

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