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Mercosul

Adesão da Venezuela é estratégica para o bloco

O ingresso da Venezuela no Mercosul é considerado estratégico para o fortalecimento do bloco e sua ratificação pelo Senado brasileiro é dada como certa pelo governo.

No entanto, entidades empresariais como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), resistem, embora reconheçam a importância econômica da medida.

A aprovação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul ganhou novo impulso com o depoimento do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no Senado Federal.

De acordo com Amorim, entre outras coisas, a entrada da Venezuela no Mercosul se justifica por sua relevância comercial.

Em reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, (Fiesp), o Subsecretário do Itamaraty para a América do Sul, Enio Cordeiro, tentou convencer os empresários mostrando os números econômicos do país de Hugo Chávez.

Ele ressaltou que a Venezuela tem o 5° maior Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina, de US$ 330 bilhões; possui a sexta maior reserva de petróleo do mundo; importa 75% do que consome, além de ser o segundo destino das exportações brasileiras dentro da América do Sul.

Na sua avaliação, “recusar a Venezuela no Mercosul é abrir mão de um grande mercado para outros fornecedores, em especial à China”.

Enio Cordeiro participou da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da entidade. O diplomata contrariou aqueles que afirmam que a Venezuela não é um país democrático, fator essencial para integrar o Mercosul.

Também presente ao evento, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) considerou uma “temeridade” o Itamaraty dizer que na Venezuela se pratica a democracia.

“A intenção de Chávez em entrar no Mercosul já vem enviesada, uma vez que ele [Chávez] já conversa com outros sócios do Bloco para tentar reduzir a presença brasileira no Parlamento do Mercosul, em 2010”, afirmou.

Para o senador, “as intenções de Chávez não são as melhores […] Um país cujo presidente nacionaliza uma empresa por semana oferece margem para se contestar se há ou não democracia”, explicou.

Na opinião do presidente do Coscex, o ex-embaixador Rubens Barbosa, o ingresso da Venezuela ou de qualquer outro país no Mercosul, pela complexidade, pelas implicações institucionais e pelas negociações de acordos comerciais com outros países, “deveria ser inicialmente objeto de uma análise isenta e objetiva, deixando de lado considerações de ordem política ou ideológica”.

Rubens Barbosa enfatizou que a Venezuela ainda não definiu alguns pontos essenciais para sua adesão, como:

• Cronograma de adesão ao acervo normativo do Mercosul ( do total de 783 normas, há 169 sem indicação de prazo para adoção pela Venezuela);
• Cronograma de adesão à Tarifa Externa Comum (foram definidos os prazos e o porcentual de produtos. Mas não as listas de produtos que estarão em cada etapa);
• Cronogramas para implementação do livre comércio;
• Adesão aos acordos negociados com terceiros países.

Nesta terça-feira, uma equipe técnica da Venezuela chegou à Brasília para negociar justamente esses itens. De acordo com o Itamaraty, esses pontos não são impeditivos para o ingresso do país no bloco.

No Senado, Celso Amorim revelou que muitas questões técnicas relativas ao ingresso de Paraguai e Uruguai ainda não foram solucionadas e os dois países integram o Mercosul desde a sua criação.

Comércio

O comércio bilateral com a Venezuela é amplamente favorável ao Brasil. Em 2008, as exportações brasileiras ao país vizinho atingiram US$ 5,1 bilhões deixando o Brasil com um saldo positivo de US$ 4,6 bilhões, o que coloca a Venezuela como segundo destino das vendas brasileiras.

O perfil do comércio bilateral também apresenta características positivas ao país. Enquanto as importações são predominantemente de petróleo, a absoluta maioria das exportações possui alto valor agregado. Em termos de investimentos, diversas empresas brasileiras têm tido sucesso em realizar projetos na Venezuela.

Por exemplo, a Odebrecht já concluiu três linhas do metrô em Caracas, mantém um campo de irrigação no norte do país e prepara a construção da hidrelétrica de Orinoco, projeto de US$ 2,5 bilhões. A Petrobrás e a Companhia Vale do Rio Doce também estão entre as empresas que planejam empreendimentos no país.

O setor privado alega que, do ponto de vista econômico, a adesão pode gerar novas oportunidades comerciais no curto prazo, beneficiadas pela abertura dos mercados, mas se preocupa com as instabilidades políticas da Venezuela.

Alguns empresários se questionam sobre as dificuldades que o bloco enfrentará, com a adesão do país, para firmar acordos comerciais com terceiros países.

No entanto, senadores do PSDB reconhecem que rejeitar o ingresso da Venezuela no Mercosul seria prejudicial para o bloco e para a economia do Brasil.

A deputada venezuelana no Parlamento Andino, Jhannet Madriz, explicou que a oposição no Brasil entendeu a importância estratégica da Venezuela no bloco.

Segundo ela, “entenderam que a Venezuela é um aliado político, social e econômico que não pode ser ignorado”.

Até o momento, apenas os parlamentos da Argentina, do Uruguai e da própria Venezuela aprovaram a entrada do país.
Brasil e Paraguai discutem o assunto.

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