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Afeganistão: oito anos de Guerra – Resultados e Pe

19 de fevereiro de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



 



Passados oito anos do início da guerra, a situação no Afeganistão é tão crítica que os membros da OTAN divergem seriamente quanto à permanência de seus contingentes no país.



 



Aliados dos Estados Unidos já não escondem que têm planos de retirada de suas tropas.



 



Juntamente com o Reino Unido, os Estados Unidos deram início a guerra em 7 de outubro de 2001 com o propósito de caçar Osama Bin Laden e pôr fim ao regime Talibã, pós-atentados de 11 de setembro.



 



No primeiro ataque, participaram 40 aeronaves e 50 mísseis foram disparados pela coalizão. Apenas um mês após a ofensiva, os Talibãs já haviam caído e abandonavam Cabul.



 



Ainda assim, poucos resultados tangíveis foram alcançados apesar da matança patrocinada por britânicos e norte-americanos.



 



Resolução do Conselho de Segurança da ONU, de 20 de dezembro de 2001, discorre sobre as linhas gerais para a atuação de uma força multinacional para a manutenção da segurança no Afeganistão.



 



Atualmente, um contingente da coalizão anti-terrorista, composta de dois grupos, toma parte em operações no território afegão. O primeiro é o grupo norte-americano sob comando do Pentágono.



 



O segundo é a missão OTAN-ISAF, composta de representantes de 39 países.



 



A força da coalizão militar no Afeganistão é de cerca de 100 mil estrangeiros em serviço, sendo 63 mil dos Estados Unidos que até o final de 2010, terá 68 mil soldados no país.



 



A principal missão de ambos é aniquilar definitivamente o Talibã e a Al-Qaeda.



 



Paralelamente, unidades militares estrangeiras oferecem assistência ao governo afegão, principalmente junto às Forças Armadas, as forças de segurança e a polícia.



 



No entanto, passados oito anos, os principais objetivos não foram alcançados.



Para piorar, a OTAN, os Estados Unidos e o governo de Khamid Karzai, parecem completamente perdidos em relação ao ressurgimento forte da guerrilha Talibã que praticamente todos os dias realizam com êxito, ataques às tropas e às estruturas frágeis do governo.



 



Até setembro do ano passado, a coalizão internacional havia perdido 1.386 homens. As maiores perdas foram dos Estados Unidos (827), Grã Bretanha (216) e Canadá (130).



 



Pelo menos 160 homens das forças da OTAN morreram por conta de minas terrestres em estradas.



 



É o maior número de perdas desde o começo da operação no Afeganistão. Desde o começo de 2009, o número de perdas excedeu 340 pessoas, enquanto no ano inteiro de 2008, 286 estrangeiros morreram em combates.



 



A situação se agrava a cada dia. Em Cabul, já não existem áreas seguras. Ataques com foguetes tornaram-se comum na capital afegã.



 



Prêmio Nobel da Paz, o presidente Barack Obama quer esmagar a resistência Talibã e para isso, autorizou o aumento das tropas norte-americanas no Afeganistão.



 



Apoio popular



 



Pesquisas mostram que a guerra do Afeganistão é tão impopular nos Estados Unidos quanto o conflito no Iraque. De acordo com a última enquete, 58% dos norte-americanos consideram que esta guerra não vale a pena.



 



Apenas 24% se mostraram favoráveis ao envio de mais soldados.



 



Obama considera a vitória no Afeganistão fundamental para a defesa dos Estados Unidos contra o terrorismo, mas ele também enfrenta críticas de seu partido.



 



A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, considera desnecessário o aumento do contingente norte-americano.



 



Situação semelhante enfrenta o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que foi criticado publicamente por políticos e pela Rainha Elizabeth II, algo raro.



 



Em outra pesquisa, 64% dos franceses declaram-se contra a presença das suas forças no Afeganistão, e 92% estão certos de que a situação só vai piorar.



 



“Nós não temos o direito de perder no Afeganistão”, insiste o presidente Nicolas Sarkozy.



 



A França mantém um contingente de mais de três mil homens em território afegão.



 



O Parlamento do Canadá aprovou medida que prorroga a permanência de seus militares no Afeganistão até 2011, mas isso vai depender do apoio dos aliados da OTAN em operações de combate no sul do país.



 



Atualmente, 2.500 soldados canadenses participam da guerra.



 



 “O Afeganistão é o momento da verdade para a OTAN”, afirmou a chanceler alemã Ângela Merkel, ao confirmar que os soldados alemães devem permanecer por até dez anos no país. No total, a Alemanha tem 4.500 militares na coalizão.



 



Diante da impopularidade e dos resultados pífios, a Itália anunciou a retirada de 500 de seus 600 soldados do Afeganistão. Até julho, a Dinamarca fará o mesmo.



 



Na contramão, a Polônia anunciou que pretende reforçar seu contingente e a Suécia planeja manter mil soldados no país.



 



Diante dos fatos, a OTAN decidiu apoiar iniciativa da Alemanha, França e Reino Unido que querem uma conferência no Afeganistão, para discutir quando as autoridades afegãs serão capazes de assumir a responsabilidade pela manutenção da segurança no país.



 



No momento, especialistas do Canadá, Reino Unido e Estados Unidos trabalham numa nova estratégia para o Afeganistão, na qual a meta é o desarmamento dos talibãs e a delegação de poderes aos líderes locais.



 



A coalizão considera exemplar a experiência canadense em Kandahar, onde triunfaram ao unir militares e civis. A experiência britânica de colaboração com representantes das autoridades locais na província de Gilmend também é considerada.



 



É provável que novas estratégias para o Afeganistão sejam implementadas até julho de 2010.



 



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org


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