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Água – O Futuro Estratégico do Brasil, ou Problema

29 de dezembro de 2009
por: InfoRel

Fabio Pereira Ribeiro



A presente política externa americana utiliza da guerra como instrumento para paz, conforme declarações de Barack Obama na cerimônia de recebimento de seu Prêmio Nobel.



A declaração confirma os principais valores defendidos pelos americanos, principalmente sobre uma vertente realista, onde os seus interesses particulares são defendidos com poder e guerra, e os interesses dos outros nunca podem subjugar os interesses americanos.



Por exemplo, custe o que custar, a manutenção do fornecimento de petróleo para os americanos, eles levam sua política intervencionista a qualquer efeito como uma invasão no Iraque, política de combate ao terrorismo, manutenção de tropas e frotas navais por todos os confins do mundo, sempre pelo interesse particular do petróleo.



Imagino o futuro com isso, quando a escassez for a água. Principalmente no sentido de manutenção da vida humana, e não de industrias e automóveis (como no caso do petróleo).



O que será dos países com grandes reservas de água no século XXI? E neste sentido, o Brasil será o principal alvo da questão.



Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Water Footprint as maiores reservas do mundo são, pela ordem: Brasil, Canadá, Estados Unidos, China e Indonésia, sendo que disso o mundo tem 1,4 quintilhão de metros cúbicos de volume, e o pior somente 3% disso potável.



Das atividades que mais consomem água, o saneamento básico, a indústria e a agricultura irrigada absorvem boa parte disso. Neste sentido, as grandes indústrias concentradas nos Estados Unidos e China consomem praticamente metade da água mundial, e assim suas políticas de sobrevivência de seus condicionantes estratégicos não poderão sofrer impactos.



Para muitos especialistas em água, o Brasil tem reservas que valem mais que o petróleo e o gás, e que no século XXI o país pode sofrer conseqüências graves, e até mesmo guerras em virtude da necessidade de países mais potentes em relação a necessidade de água.



Por mais que a água não tenha um valor relativo como commodity e ainda não tem seu preço negociado em Bolsa (mas em um futuro próximo, o que será?), os países já se preocupam em manter e negociar reservas, e o Brasil neste ponto sofre pressões, inicialmente através de multinacionais para condicionar suas reservas estratégicas de águas para grupos de interesses.



O que leva a revisão de custos ao consumidor final, ou melhor ao cidadão comum, o mortal, que pode com certeza pagar uma conta muito cara, ou pior o Brasil ser colocado em uma seara negativa e dissimulada contra sua imagem para atender interesses particulares das potências, principalmente no caso dos Estados Unidos.



Outro problema importante que se deve destacar é o crescimento desordenado do Brasil, e com isso o recurso acaba sofrendo conseqüências drásticas em função do uso irregular do solo, sem contar a contaminação direta em atividades estratégicas que o Brasil desenvolve, por exemplo a mineração.



Hoje o Brasil é o principal Estado detentor da maior reserva aqüífera do mundo, o aqüífero Guarani, em parceria com Argentina, Paraguai e Uruguai, e representa 1/5 do que existe no mundo, com volume suficiente para abastecer regularmente 2,8 bilhões de habitantes, conforme padrões de consumo estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).



O Brasil é rico em condicionantes de política externa, bens e valores que moldam a balança de poder no sistema internacional.



E a água é um dos principais, e para muitos será o ponto de discórdia do Brasil neste século XXI, e muitas potências poderão nos tratar como inimigos e levar a guerras injustas em função de seus interesses particulares, assim a defesa nacional e a política nacional devem criar estruturas reais de proteção de um bem fundamental para o desenvolvimento mundial e principalmente para manter a sobrevivência da raça humana.



É verdade, Deus é brasileiro, e o melhor de tudo ele deu a água do mundo para o Brasil! Agora é só proteger.



Fabio Pereira Ribeiro é professor-doutor, Diretor de Marketing e Relações Internacionais da UNIMONTE, especialista em Inteligência Estratégica, Conflitos Internacionais e Relações Internacionais.

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