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Diplomacia

Ahmadinejad não vem e Lula vai a Israel

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad decidiu cancelar a viagem que faria à América Latina para se concentrar nas eleições presidenciais de 12 de junho.

Para o Itamaraty, no entanto, não houve cancelamento e sim adiamento da visita que deverá ser agendada após o resultado das urnas.

Como o Brasil tem o interesse de incrementar as relações econômico-comercial, a visita do presidente do Irã poderá ocorrer sem Ahmadinejad.

Eleito em 2005, ele é contestado pelos líderes religiosos do país que temem o isolamento político do Irã.

Na contramão do cancelamento da visita, o governo brasileiro trabalha para viabilizar a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel ainda neste ano.

Os israelenses vinham pressionando o Brasil para que o encontro de Lula e Ahmadinejad fosse cancelado. O embaixador brasileiro em Tel Aviv chegou a receber uma reprimenda da chancelaria israelense.

A bronca de Israel com o Brasil é antiga. Vem desde a realização da primeira Cúpula América do Sul – Países Árabes, realizada em maio de 2005, em Brasília.

Na época, Israel viu o encontro como um mecanismo pró-árabes e contra o Estado judeu.

Na Declaração Final, foi reconhecido o direito dos palestinos de reagirem à ocupação israelense, o que foi entendido como um reconhecimento ao direito palestino de cometer atentados contra o vizinho.

Embora o governo do Irã tenha declarado que o cancelamento da visita de Ahmadinejad se dá por razões internas, diplomatas iranianos reclamam da postura do Brasil em relação ao país.

O embaixador iraniano no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, reclamou da cobertura negativa da imprensa brasileira à visita.

De acordo como Subsecretário-Geral para Assuntos Políticos do Itamaraty, embaixador Roberto Jaguaribe, ele tem razão.

Segundo Jaguaribe, “tudo que é noticiado sobre o Irã no Brasil vem de agências de notícias norte-americanas e européias. Nem um meio de comunicação brasileiro possui correspondente no país”.

Comércio

O encontro empresarial previsto para ocorrer em São Paulo foi mantido. Cerca de 200 empresários dos dois países confirmaram presença.

Análise da Notícia

A visita do presidente iraniano ao Brasil foi avaliada por muitos “entendidos” como uma afronta aos direitos humanos.

O Brasil quer ser protagonista nas negociações de paz no Oriente Médio, então, excluir o Irã desse debate, supõe um debate manco, parcial e fadado ao fracasso, como tantos outros.

Neste sentido, o encontro de Lula e Ahmadinejad poderia render bons resultados. O Irã já sente alguns dos efeitos do seu isolamento internacional.

Confia no Brasil e na capacidade do presidente Lula de falar abertamente com todos os atores envolvidos, incluindo Israel e a Palestina.

No entanto, as eleições no Irã já estavam marcadas quando as duas chancelarias, mais as do Equador e Venezuela, combinaram o encontro.

Cancelar em cima da hora não é nada agradável, mas entre provocar um mal estar com o Brasil e garantir a reeleição, certamente que vale a segunda opção.

Agora, o Brasil aproveita para retomar um antigo projeto que é a visita de Lula a Israel.

Seria ainda melhor se o governo conseguisse levá-lo à Palestina.

Que ele pudesse dialogar com os dois lados de um conflito interminável, na mesma oportunidade.

E deixar claro que nem todas as críticas a Israel negam o holocausto.

Além disso, colocar de forma clara que atacar escolas e matar inocentes como faz Israel na Palestina, também é terrorismo.

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