Destaque

CNI cobra ratificação de acordos pendentes entre Brasil e Alemanha
06/11/2017
União Europeia faz esforço para garantir acordo comercial com o MERCOSUL
16/11/2017

Ajuda militar norte-americana à Ucrânia poderá reacender conflito

Marcelo Rech, especial de Londres – 

No dia 19 de outubro, o Senado dos Estados Unidos aprovou, segundo o presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko, uma ajuda financeira de US$ 500 milhões que serão investidos na aquisição de “armas letais de caráter defensivo”. O envolvimento norte-americano na crise poderá reacender o conflito na região.

O senador republicano Will Hurd reconheceu que a Casa Branca analisa enviar ajuda ao regime ucraniano “para garantir a defesa do país da agressão russa”, disse em Washington. Em Londres, a situação ucraniana ocupou boa parte dos debates na Chatham House Conference, que reúne alguns dos principais analistas internacionais de mais de 30 países.

Há enorme preocupação de que a crise russo-ucraniana retome níveis altos de tensão, principalmente quando o Ocidente precisa lidar com Coréia do Norte, Síria e o Brexit. O que ninguém deseja neste momento é que os Estados Unidos ponham mais lenha na fogueira.

“Este dinheiro será destinado à guerra, não a temas sociais. Será somente à guerra. Isso significa que o número de vítimas em nosso território pode aumentar”, afirmou o vice-chefe do Comando Operacional de Donetsk, Eduard Basurin. Não há qualquer preocupação em esconder a aliança entre Kiev e Washington.

De acordo com analistas ouvidos na capital britânica, há pelo menos três anos, a Ucrânia aguarda por ajuda militar dos Estados Unidos. Até então, Washington provia munições e equipamentos além de treinamento de soldados da Guarda Nacional. A aprovação de meio milhão de dólares em armas pesadas como complexos mísseis antitanque transportáveis Javelin, poderá colocar a crise em outro patamar.

Como assinala Tim Marshall, uma das principais autoridades de Relações Internacionais do Reino Unido, com mais de 25 anos de coberturas jornalísticas, “a Crimeia fez parte da Rússia durante dois séculos antes de ser transferida para a República Soviética da Ucrânia, em 1954, pelo presidente Khrushchev. Quando a Ucrânia deixou de ser soviética, ou mesmo pró-russa, Putin soube que a situação tinha de mudar”, explica.

Ele vai além: “os diplomatas ocidentais perceberam isso? Se não perceberam, desconheciam a regra A, lição 1 da Diplomacia para Principiantes: quando confrontada com algo visto como uma ameaça existencial, uma grande potência usará a força. Se perceberam, devem ter considerado a anexação da Crimeia um preço razoável a pagar pela aproximação da Ucrânia à Europa moderna e à esfera de influência do Ocidente”, destacou.

Marshall ressalta ainda que, considerando a geografia da Rússia, respeitar a integridade territorial da Ucrânia nunca foi realmente uma opção. Vladimir Putin não seria o homem que perdeu a Crimeia e, com ela, o único porto de águas quentes a que a Rússia tinha acesso (Sevastópol).

Ninguém veio em defesa da Ucrânia quando esta perdeu um território das dimensões da Bélgica. Segundo Tim Marshall, “a Rússia não podia suportar a perda da Crimeia, mas o Ocidente podia”.

Resta agora saber para onde caminha o conflito e qual o grau de envolvimento de países como os Estados Unidos. A Europa já dava como resolvida a questão. A necessidade do gás russo para aquecê-los no inverno rigoroso, foi determinante para isso.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *