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04/12/2005
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04/12/2005

Forças Armadas

Alencar destaca que Amazônia é prioridade para a Defesa Nacional

Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, no auditório do ministério da Defesa, o I Seminário “Defesa Nacional em Debate: Amazônia”. O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, participou da abertura e afirmou que a possibilidade do país perder a soberania em relação a Amazônia é muito grave e muito séria.

Segundo ele, ”temos recursos naquela área imensuráveis. Precisamos de disposição para encarar este assunto de frente. Estamos vivendo uma escassez de recursos. Tem que haver recurso sim. Vou levar essa sugestão ao presidente Lula, que também se preocupa com o assunto”.

Para o ministro, é fundamental que o Congresso Nacional e o próprio governo estejam sensíveis quanto aos esforços realizados pelas Forças Armadas na região.

“Eu vejo que o assunto é tratado com a maior seriedade, o que me traz conforto, porém é preciso que estejamos mais presentes nas questões da Amazônia brasileira. Não só pelo que ela representa na sua população indígena, mas também o que ela representa em termos de água e floresta. Não conhecemos ainda o subsolo amazônico e o Brasil precisa despertar-se”, ressaltou o ministro.

O Chefe de Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia, General-de-Brigada Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, destacou que a instabilidade nos países vizinhos, a falta de controle e fiscalização do trabalho das Organizações Não-Governamentais [ONGs], a alta taxa de desmatamento [25 mil km2 por ano], o narcotráfico, a bio-pirataria, e a ausência do Estado na região, estão entre os principais problemas da Amazônia.

”A Amazônia será destruída se alguma coisa não for feita. A Floresta Amazônica precisa de desenvolvimento que permita maior integração da população. As populações ribeirinhas do interior vivem em total abandono. O povo vive de peixe e da roça de mandioca. Eles não têm atendimento médico, educação, transporte e vestuário”, afirmou.

O ministro José Alencar reconheceu que o país vive uma escassez de recursos. Segundo ele, “em que haver recurso sim! Isso é absolutamente prioritário. Não há nada mais importante para o ministério da Defesa do que a Amazônia brasileira com seus 11.500 km de fronteira. Para tudo falta recurso, menos para os juros de 10 por cento superiores aos juros vigentes no mercado internacional. Os juros estratosféricos são os responsáveis pela falta de recursos para quase tudo que é absolutamente essencial no Brasil. E nada é mais essencial do que a Amazônia brasileira”.

Segundo o ministério da Defesa, cerca de 130 pessoas, entre estudantes, professores universitários, militares e representantes governamentais participaram do evento. Geólogos, oficiais, especialistas e professores trataram de dissecar, através de palestras e debates, os problemas, políticas e estratégias para a defesa da Amazônia.

Para a maioria dos participantes, a sociedade em geral precisa participar mais dos debates sobre a Amazônia, região que representa mais da metade do território nacional, além de conhecer as estratégias civis e militares, que permitam proteger suas riquezas, levar o desenvolvimento para sua população e impedir que a cobiça estrangeira cresça.

Áreas protegidas

Entre as questões mais polêmicas está a proteção das terras indígenas e a presença do Exército na região. Segundo o geólogo João Frederico Guimarães Cruz, as pessoas costumam tratar os índios como crianças que não podem decidir o seu futuro.

Na sua opinião, os habitantes da região consideram inviável sobreviver nas atuais condições e exigem o direito ao extrativismo mineral e não só ao vegetal.

Representante indígena de São Gabriel da Cachoeira [AM], na fronteira com a Venezuela, Álvaro Tukano, que trabalha na FUNAI, considera positivas as ações do Exército e afirmou que as pessoas têm uma idéia da Amazônia como paraíso, quando lá existem doenças como a malária, fome e conflitos entre índios e garimpeiros.

Além disso, o IBAMA está preocupado com o crescimento dos problemas ambientais, biopirataria, narcotráfico e o desmatamento, entre outros. Segundo Eduardo di Deus, representante do órgão, “é preciso conhecer a realidade deles para perceber que os indígenas precisam sim desse “desenvolvimento” e de consciência política.

“Temos que conscientizar o Congresso Nacional e o Executivo para que valorizemos o trabalho dos poucos brasileiros, especialmente o Exército nacional. A Marinha e a Aeronáutica também dão uma atenção dentro do possível. É preciso que nós façamos crescer os recursos para que essas instituições que estão atentas às questões da Amazônia possam trabalhar com eficiência porque o Brasil vai cobrar isso”, alertou o ministro da Defesa, José Alencar.

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