Brasília, 18 de dezembro de 2018 - 10h15

Integração Regional

06 de dezembro de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Santiago, Chile



A Aliança do Pacifico (AP) deu mais uma demonstração do seu interesse em aproximar-se do Mercosul ao propor a identificação de pontos convergentes entre os dois blocos em seminário realizado na capital chilena no dia 24 de novembro. Um “Mapa do Caminho” será desenhado para eleger as prioridades e será adotado um esquema de reuniões trimestrais para monitorar os avanços.



Presente ao evento, a presidente Michele Bachelet foi clara ao afirmar que os dois blocos não podem coexistir de costas um para o outro.



A Bolívia não participou do encontro. Para o presidente Evo Morales, a AP não passa de um “títere do imperialismo norte-americano”.



Na oportunidade, foi divulgado um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), sobre a convergência entre AP e Mercosul na diversidade.



Atualmente, os quatro países que formam a AP somam um conjunto de 212 milhões de habitantes com um PIB per capita de US$ 14.245, enquanto que os países do Mercosul somam 295 milhões de pessoas e um PIB de US$ 13.219.



De acordo com a presidente chilena, “a América Latina vive um processo muito mais de distanciamento que de integração”. Na sua avaliação, trata-se da região mais desigual do planeta com cerca de 165 milhões de pobres, corrupção, crime organizado e discriminação de gênero, entre outros problemas.



“Não podemos dividir. Mais que oportunidades, temos responsabilidades e não há desculpas para isolar-nos uns dos outros e temos de canalizar nossos melhores esforços para a cooperação”, explicou.



Desenvolvimento



O chanceler chileno Heraldo Muñoz que foi embaixador no Brasil, também foi taxativo ao afirmar que “o aprofundamento dessa integração não é uma opção, mas uma necessidade. O desafio à China e à Ásia cobra que a América Latina faça a sua parte. Precisamos avançar em acordos regionais e sub-regionais e os empresários já estão fazendo uma integração silenciosa”.



Para o ministro de Relações Exteriores do Chile, o fato de a região ser banhada por dois oceanos deveria ser uma vantagem e não um problema. “Precisamos entender que Atlântico e Pacífico não podem debilitar-se, mas fortalecer-se. É um absurdo que uma região de renda média não se faça ouvir nos foros multilaterais”, advertiu.



Agenda



Com o objetivo de avançar-se nesta aproximação, decidiu-se por conformar uma agenda mínima com até quatro temas, menos conflitivos, para que os dois blocos efetivamente trabalhem juntos. “Para avançarmos, precisamos de mais realismo e vontade política e menos retórica”, disse Muñoz.



Nos próximos 30 dias, as respectivas chancelarias irão se debruçar sobre o assunto para que ainda neste ano os dois blocos fechem um acordo em torno da agenda e dos temas que serão priorizados neste primeiro momento.



Fontes de energia, conexão elétrica, mobilidade, turismo, e ciência, tecnologia e inovação, estão entre os temas que devem ser contemplados primeiro. A partir dos resultados alcançados, os dois blocos podem avançar para temas mais polêmicos como tarifas.



O evento reuniu cerca de 100 pessoas entre diplomatas, acadêmicos e representantes de governos e do setor privado. Entre os chanceleres, compareceram os ministros argentino, Hector Timerman; o brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado; o uruguaio, Luís Almagro; o paraguaio, Luiz Eládio Loizaga; o chileno, Heraldo Muñoz; o peruano Gonzalo Gutiérrez; e o guatemalteco Carlos Raúl Morales.



Além deles, o atual Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Inzulsa, o Secretário-Geral da ALADI, Carlos Álvarez, o vice-ministro de Assuntos Multilaterais da Colômbia, Carlos Arturo Morales, o Secretário de Economia do México, Ildefonso Guajardo, o ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, a ministra de Comércio Exterior e Turismo do Peru, Magali Silva, o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Gilberto Fernandes Tigre, o presidente do Capítulo paruano do Conselho Empresarial da AP, Guillermo Ferreyros, e o economista da Fundação Perseu Abramo, do PT, Alexandre de Freitas Barbosa, também participaram dos debates.


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