Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 21h52

Dissuasão

17 de fevereiro de 2014
por: InfoRel
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Brasília - O almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, coordenador-geral do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) garantiu em audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, na última quinta-feira, 13, que o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear deve fica pronto em 2023.



O PROSUB foi criado em 2008 a partir de um acordo de cooperação e transferência de tecnologia firmado entre o Brasil e a França. Além do submarino nuclear, o programa prevê também a construção de quatro submarinos de propulsão convencional (diesel-elétricos). Serão ainda construídos uma base naval e um estaleiro, em Itaguaí (RJ).



Durante o evento, ele defendeu a necessidade de o país desenvolver e manter um forte sistema de defesa. Ao justificar, afirmou que o Brasil é foco de "ambições", em razão de suas riquezas naturais e capacidades. Diante das incertezas sobre o que acontecerá no mundo em médio e longo prazo, Max Hirschfeld observou que o Brasil precisa estar preparado, com uma Força Armada potente capaz de dissuadir.



Na sua avaliação, para implementar na prática o seu poder de dissuasão, o Brasil precisa contar com um submarino nuclear, uma arma que é considerada a de maior poder de dissuasão existente.



Entre outras vantagens, destacou o poder de deslocamento e a capacidade de se manterem submersos de forma prolongada.



Ele explicou ainda que com o Prosub, o Brasil ganha capacidade não apenas para construir, mas também projetar submarinos convencionais e nucleares, uma vez que o acordo com o governo francês assegura a transferência de toda a tecnologia necessária.



Por outro lado, o almirante esclareceu que o país já domina todo o ciclo tecnológico para a construção do reator de propulsão nuclear a ser utilizado no projeto, de responsabilidade da Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A (Nuclep), que está sendo desenvolvido em São Paulo. A França entra com a parte de "interface" para aplicação no submarino e seu projeto, além das tecnologias de operação e manutenção do equipamento.



O programa tem custo estimado em cerca de R$ 21 bilhões. Para 2014, o governo destinou quase R$ 2,5 bilhões, valor que ficou aquém do necessário. Além disso, o Prosub deverá gerar nove mil empregos diretos e outros 32 mil indiretos.



Parceria



Sobre a escolha da França, como parceiro do Brasil, o almirante explicou que apenas esse país e a Rússia dispunham à época de tecnologia para construção de submarino com propulsão nuclear (hoje o time integra a China, os Estados Unidos e a Inglaterra). Porém, apenas a França aceitou o compromisso de transferir a tecnologia.



Ele também rebateu a afirmação de que o Chile e a Índia, por meio de acordo com a Alemanha, tivessem conseguido acesso à mesma tecnologia, em bases econômicas mais vantajosas.



O almirante afirmou que a construção da nova base naval em Itaguaí não era dispensável, já que as operações com os submarinos não poderiam ser feitas no arsenal da Marinha. Ele assegurou que esse arsenal não comportaria tais operações, inclusive pela reduzida profundidade das águas e apontou ainda a inconveniência de operar equipamento com propulsão nuclear junto a uma grande metrópole.

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