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25/06/2014
Fronteiras
25/06/2014

UNASUL-1

América do Sul desenvolve aeronave militar de treinamento

Brasília – Representantes do Brasil, Argentina, Venezuela e Equador trabalham no desenvolvimento conjunto da primeira aeronave militar de Defesa da União Sul-Americana de Nações (UNASUL). Na semana passada, eles estiveram reunidos nas instalações da Fábrica Argentina de Aviões (FAdeA), em Córdoba, norte do país.

De acordo com o ministério da Defesa, a iniciativa do Avião Regional de Treinamento, que está na fase de prospecção de financiamento, tem o objetivo de fomentar a integração continental e fortalecer a indústria de Defesa na América do Sul, fortalecendo a chamada “identidade sul-americana de Defesa”. O avião será batizado UNASUL-1.

O MD informou ainda que quatro empresas brasileiras participam do projeto Avião Regional: Novaer, Akaer, Flight Technologies e Avionics – todas devidamente classificadas como Empresas Estratégicas de Defesa pelo ministério por desenvolverem tecnologias indispensáveis ao Brasil.

Ainda de acordo com o ministério da Defesa, a futura aeronave será utilizada pelos militares sul-americanos para treinamento primário básico: primeiro contato do piloto militar com a aviação. Representantes dos quatro países envolvidos no consórcio já levantaram os requisitos técnicos indispensáveis ao Avião de Treinamento, bem como quais serão os custos do projeto. O momento agora é o de estruturar o financiamento que, no Brasil, deverá ser feito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Projeto

Para poder viabilizar o projeto, será criada no próximo semestre a sociedade anônima “UnasurAero”. A corporação permitirá que as empresas envolvidas no projeto possam ser contratadas e remuneradas pelos materiais e equipamentos fornecidos.

Neste caso, os países envolvidos farão os pagamentos por etapa para a UnasurAero, que posteriormente contratará as empresas conforme seus pacotes de trabalho e as necessidades apresentadas.

O Brasil deverá colaborar com cerca de 62% dos subsistemas. A fase de desenvolvimento do projeto terá um custo aproximado US$ 60 milhões. Com isso, pelo menos US$ 36 milhões serão destinados às empresas brasileiras. As empresas argentinas deverão participar com 28%, e as equatorianas e venezuelanas com 5% cada.

Para o gerente do Departamento de Produtos de Defesa (Deprod) do ministério da Defesa, coronel Hilton Grossi, o projeto, ainda em fase de desenvolvimento, já conta com uma demanda inicial de 92 aeronaves, sendo que 50 deverão ser adquiridas pela Argentina, 24 pela Venezuela e 18 pelo Equador.

A Força Aérea Brasileira (FAB) não planeja adquirir a aeronave, por não estar em fase de substituição da sua frota de treinamento. Entretanto, assegura que o projeto trará benefícios de médio e longo prazo à área de Defesa do Brasil.

Após a etapa de desenvolvimento, o projeto entrará na fase de produção, na qual as empresas de cada país irá contribuir de alguma forma. Em princípio, as brasileiras participarão com as asas equipadas (Akaer), trem de pouso (Novaer) e painel de equipamentos (Avionics e Flight Tecnologies). A participação das empresas argentinas será com as portas, hélices, montagem de motor e assentos ejetáveis.

Indústria de Defesa

“Para o Brasil e suas empresas, o projeto se apresenta como uma oportunidade de consolidar sua liderança regional, além de propiciar o ingresso de empresas nacionais em mercados normalmente dominados por chineses, russos e israelenses”, informa o MD.

Além disso, o programa também ajudará a desenvolver a indústria de defesa argentina, atualizando seus processos de gestão e tendo acesso às melhores práticas exercidas por nossas empresas. O projeto irá suprir a necessidade operacional de 50 aeronaves para a Escola de Aviação Militar da Argentina.

Já para o Equador e a Venezuela, a grande vantagem é a participação em um processo de desenvolvimento, o que deverá fortalecer as indústrias desses países, além de suprirem suas necessidades operacionais de aeronaves de treinamento.

O ministério da Defesa assegura ainda que o projeto está completamente alinhado com a Estratégia Nacional de Defesa e o com as diretrizes do MD no esforço de fortalecimento da cooperação e do desenvolvimento regionais.

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