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26/01/2017
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26/01/2017

2025

América Latina e Caribe podem ser os primeiros em erradicar a fome, diz FAO

Marcelo Rech, especial da República Dominicana

Punta Cana – A América Latina e o Caribe podem ser os primeiros em erradicar a fome, afirmou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, em apresentação aos Chefes de Estado e de Governo que participaram em Punta Cana, na República Dominicana, da V Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

De acordo com ele, o Plano de Segurança Alimentar apresentado aos países da região oferece uma rota clara para que em dez anos a fome seja erradicada. “O Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome representa a cristalização da vontade política dos governos de erradicar a fome na próxima década”, afirmou Graziano da Silva.

Aprovado pela CELAC em 2015, o plano promove políticas públicas integrais para reduzir a pobreza, melhorar as condições do mundo rural, adaptar a agricultura às mudanças climáticas, acabar com o desperdício de alimentos e fazer frente aos riscos de desastres.

José Graziano da Silva assegurou que o plano está alinhado com os compromissos globais de alto nível, como o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Os países do bloco assumiram o compromisso de erradicar a fome até 2025, cinco anos antes da segunda versão do ODS. “Esta região conta com todas as condições necessárias para lográ-lo, partindo do grande compromisso político que sustenta o Plan SAN CELAC”, explicou.

Graziano da Silva disse ainda que o plano tem produzido grandes resultados na Bolívia, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Venezuela, que se apoiaram nesta plataforma para avaliar suas políticas de segurança alimentar. Já o Peru, utilizou o plano como base para impulsionar leis de doação de alimentos e para minimizar as perdas e desperdiços alimentares.

O caráter multidimensional do Plan SAN CELAC permite não apenas enfrentar a fome, mas também a obesidade, que afeta a 140 milhões de pessoas na região. Para o diretor-geral da FAO, o impacto das mudanças climáticas tem o potencial de reverter as conquistas obtidas na luta contra a fome e a pobreza extrema.

“A agricultura é o setor mais afetado pelas mudanças climáticas e uma de suas principais vítimas são os pequenos agricultores familiares, camponeses e camponesas, muitos dos quais lutam diariamente pela sobrevivência”, destacou.

A FAO trabalha em conjunto com a CELAC no desenvolvimento de um plano de ação a favor da agricultura familiar e o desenvolvimento rural territorial, fomentando a intensificação sustentável da produção, sistemas públicos de compras e abastecimento de alimentos, serviços rurais e maiores oportunidades para os jovens rurais.

Além disso, a FAO também apoia a CELAC na elaboração da Estratégia Regional de Risco de Desastres para a Agricultura e a Segurança Alimentar, que apoia a resiliência e a adaptação dos agricultores mediante técnicas sustentáveis de cultivo e gestão de recursos.

Na Colômbia, o Plano SAN CELAC apoiou a criação de uma estratégia orientada à reabilitação dos meios de vida das comunidades vulneráveis da zona central do país.

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